Arquivo: Edição de 10-01-2014

SECÇÃO: Informação Religiosa

Por onde ir?

Todos nós sabemos que “o mundo não se constrói apenas com grandes presidentes, com grandes descobertas científicas ou com grandes discursos musculados, pois ele também se constrói com pequenos e silenciosos gestos”[1] que, fundados na fé, podem salvar muitas vidas humanas, na medida em que lhes oferecem o argumento do amor.
Nesta linha, se há dois anos tinha ressaltado aqueles seis pescadores das Caxinas, que sobreviveram durante três dias em alto mar, e se no ano passado nomeei os atletas paralímpicos como um belo exemplo que nos ensina que, apesar das nossas dificuldades, desistir é uma acção proibida, nesta mensagem de ano novo gostaria de nomear como a grande figura deste ano que termina os Bombeiros Voluntários.
No verão passado o país ficou sensibilizado com a notícia da morte de oito bombeiros portugueses. É de louvar a coragem destes homens e mulheres que, a título voluntário, produzem gestos heróicos e silenciosos na defesa das pessoas e do seu património. Aliás, impressiona-me o lema das corporações de bombeiros, que diz: “Vida por vida”. Creio que este lema é a tradução perfeita do amor interior que eles têm a uma causa tão nobre como esta, e que nem sempre é valorizada e respeitada por todos nós.
Tomando este exemplo, o Papa Francisco, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, também nos pede um acto heróico, à semelhança dos Bombeiros, quando afirma que “a fraternidade é a premissa para vencer a pobreza”[2]. A fraternidade apresenta-se, assim, como um caminho de glória para superar o drama da pobreza, quer esta seja de tipo relacional, absoluta ou relativa, pois, caso contrário, este drama (que vai crescendo) será a morte da própria fraternidade. Confesso que é um grande desafio para a vivência do próximo ano civil.

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Em nome da fraternidade universal, o cristão deverá assumir-se como uma verdadeira presença de Deus na história humana, lutando pela inclusão de todos através de novas sementes que façam germinar uma nova mentalidade na sociedade. Porque, graças ao nascimento de Cristo, “já não somos escravos, mas filhos. E, se somos filhos, também somos herdeiros, por graça de Deus” (cf. Gal 4,4-7).
Lutemos, por isso, pela inclusão de todos, combatendo aquelas causas estruturais da pobreza que geram a divisão. Sabendo que a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou 2014 como o “Ano Internacional da Agricultura Familiar”, em reconhecimento à contribuição da agricultura familiar para a segurança alimentar e para a erradicação da pobreza no mundo, temos mais um motivo para não descurarmos o dever de cuidarmos por esta terra que nos alimenta e confere qualidade à nossa existência.
(…)
Desejo um bom ano para todos vós e encaminho um obrigado sincero a todos os bombeiros voluntários pela sua coragem, dedicação e responsabilidade. E tal como eles, sejamos nós também “soldados da paz” e construtores de fraternidade!

[1] D. Jorge Ortiga, Proibido desistir. Mensagem para o Ano Novo de 2014

[2] Cf. Francisco, Fraternidade, fundamento e caminho para a paz, 5

+ Jorge Ortiga, A.P.
24 de dezembro de 2013

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