Arquivo: Edição de 10-01-2014

SECÇÃO: Informação Religiosa

Fraternidade, fundamento e caminho para a Paz

É este o título da Mensagem do Papa Francisco para a celebração do 47º DIA MUNDIAL DA PAZ. Colocada no dia em que a Igreja celebra liturgicamente a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, desde logo aquela jornada acontece no momento em que, no meio das celebrações de Natal, os olhos se voltam para Aquela que é a Mãe do Príncipe da Paz. É a esperança de um ano inteiro centrado em Maria, a qual Jesus, no instante crucial da Sua missão redentora, constituiu nossa mãe também.
A abrir a sua mensagem, o sumo pontífice lança o olhar sobre a família que é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor (nº 1).
Contrariamente ao contributo dado por tantos meios de ligações e comunicações, em número sempre crescente, dos quais naturalmente era de esperar a unidade de partilha entre povos e nações, essa vocação, diz o Papa, é muitas vezes contrastada e negada nos factos, num mundo caracterizado pela “globalização da indiferença” que lentamente nos faz “habituar” ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos (nº 1).
Citando Bento XVI, Francisco assume que a carência profunda de fraternidade e a ausência duma cultura de solidariedade agravam as inúmeras situações de desigualdade, pobreza e injustiça. Por isso, só a aceitação e reconhecimento “duma paternidade transcendente” é que levará à consolidação da fraternidade entre os homens. Jesus Cristo, retomando o projecto inicial do Pai, reconcilia em Si todos os homens; criou em Si mesmo um só povo, um só homem novo, uma só humanidade nova (nº3).
Justificando o título da mensagem – a fraternidade, fundamento e caminho para a Paz – o Papa recorda as definições de Paz dada pelos seus predecessores Paulo VI e João Paulo II: o primeiro diz que o nome novo da paz é o desenvolvimento integral dos povos (enc. Populorum Progressio) e, na encíclica Sollicitudo rei socialis, João Paulo II diz que a paz é fruto da solidariedade.
A encíclica Caritas in veritate de Bento XVI mereceu também uma atenção especial do Santo Padre para lembrar que a fraternidade é premissa para vencer a pobreza (nº 5). A partir daqui, esclarece, é necessária a redescoberta da fraternidade na economia (nº6); o esforço sem tréguas para a extinção da guerra (nº7), bem como outras formas que contrastam a fraternidade, como a corrupção e o crime organizado (nº8). Guardar e cultivar a natureza ajudam também a construir fraternidade (nº8).
Concluindo, diz o Papa Francisco, há necessidade que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada, anunciada e testemunhada; mas só o amor dado por Deus é que nos permite acolher e viver plenamente a fraternidade (nº10).

Mons. José Maria

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