Arquivo: Edição de 29-11-2013

SECÇÃO: Generalidades

COISAS SIMPLES, OU NÃO! (32)

Mais ou Menos

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“As pessoas vivem para admirar as alturas, as ondas do mar, o percurso dos rios, o domínio dos oceanos, o movimento das estrelas e no entanto elas passam por si mesmas sem se admirarem”. (Santo Agostinho).
 Na verdade vivemos um tempo de pouca realidade, confusos e talvez distraídos com o que se passa de verídico connosco. Preocupamo-nos com atitudes e pensamentos fúteis que nos molestam e nos fazem passar as horas mais importantes do dia, à deriva. Vivemos em estado de defesa, culpando (tantas vezes) os outros de ignorância, de incompetência, de bons receptores da treta e não somos capazes de estar presentes para ver, de procurar cultura, de ser capazes e de verificarmos com toda a verdade como somos e como agimos para elevar os outros.
Tantas vezes culpamo-nos e noutras apresentamo-nos como inocentes, humildes sem humildade e com receio de que num abraço nos cravem um punhal nas costas. Temos medo que nos peçam apoio e como enguias viscosas, mais ou menos sorrimos. Fugimos de quem não se compara a nós na vida social, no trabalho e por vezes não somos verdadeiramente familiares da nossa família.
A vida do homem que se prese, apenas terá valor se ela comporta desafios, trabalho, inteligência, doação, solidariedade, comunhão, etc. A vida daqueles que é alicerçada no mais ou menos, no facilitismo, no logo depois se vê, ou que viva pendente do que sobra dos outros, não tem sentido e, será sempre uma vida que não passará duma vidinha morna, do menos e nunca do mais.
A vida do homem com valor terá sempre o bom da vida, o mau da vida, o prazer da vida e a dor da vida. Homem que não dá valor ao naco de pão que come…, ou não o semeou, ou lho deram, ou usou de rapacidade para o adquirir.
Queixamo-nos tantas vezes que ninguém faz nada; que ninguém sabe nada; que ninguém sabe trabalhar; que ninguém tem capacidade de luta e de sofrimento.
Cabe aos mais capazes ensinar e fazer. Cabe aos mais sábios transmitir ânimo e a cultura da realidade, da paciência, para, desse modo elevar, promover os nossos mais próximos. E se o homem de hoje é menos capaz, e se o homem é só mais ou menos capaz - colocando-o bem a nosso lado - recordemos-lhe que na vida de qualquer um há o verão, o inverno, o dia e a noite, a tristeza e a felicidade, o desconforto ou o conforto vivencial.
A vida séria e responsável de todo o homem, jamais poderá ser de “Mais ou Menos”!
Podemos pensar que o futuro será mais ou menos; podemos dizer que tudo em nós está mais ou menos ou tudo caminha bem. Mas nunca devemos amar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, assumir os próprios erros mais ou menos e ter fé mais ou menos. Se a nossa personalidade e carácter for (só) mais ou menos, não passamos de pessoas “mais ou menos”.

Por: Artur Soares
(soaresas@sapo.pt)

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