Arquivo: Edição de 11-10-2013

SECÇÃO: Informação Religiosa

Uma Igreja Missionária, Terna, Pobre e para os Pobres

Dia Mundial Missionário | 20 de outubro de 2013
O Ano da fé, a cinquenta anos do início do Concílio Vaticano II, é um estímulo para que toda a Igreja tenha uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e nações. A missionariedade não é só uma questão de territórios geográficos, mas de povos, de culturas e de cada pessoa, porque “os confins” da fé não atravessam só lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e de cada mulher. O Concílio Vaticano II sublinhou, de modo particular, como o trabalho missionário, a tarefa de alargar os confins da fé, seja próprio de cada batizado e de todas as comunidades cristãs: “Dado que o povo de Deus vive nas comunidades, especialmente nas dioceses e paróquias, e nelas se torna visível, cabe também a esta comunidade ser testemunha de Cristo diante de todas as nações.” (Decr. Ad Gentes, 37). Cada comunidade é, pois, interpelada e convidada a fazer seu o mandato dado por Jesus aos apóstolos de ser suas “testemunhas em Jerusalém em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (Act 1, 8), não como um aspeto secundário da vida cristã, mas como um aspeto essencial: todos somos enviados pelo mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e tornando-nos anunciadores do seu Evangelho. Convido os Bispos, os Presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e cada grupo responsável na Igreja a dar o devido relevo à dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio empenho apostólico não é completo, se não contém o propósito de “tornar-se testemunha de Cristo diante das nações”, diante de todos os povos. A missionariedade não é somente uma dimensão programática na vida cristã, mas também uma dimensão paradigmática que diz respeito a todos os aspetos da vida cristã.
Frequentemente, a obra da evangelização encontra dificuldades não só no exterior, mas também no interior da própria comunidade eclesial. Às vezes, são fracos o fervor, a alegria, a coragem, a esperança no anunciar a todos a mensagem de Cristo e em ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Às vezes, também se pensa que levar a verdade do Evangelho é fazer violência à liberdade. Paulo VI tem palavras claras sobre a questão: “Seria um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a esta consciência a verdade evangélica e a salvação de Jesus Cristo com plena clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará…é uma homenagem a esta liberdade." (Exort. Ap. Evangelii Nuntiandi, 80). Devemos ter sempre a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo, fazendo-nos portadores do seu Evangelho. Jesus fez-se homem para nos indicar o caminho da salvação, e confiou-nos também a missão de dar a conhecer esta salvação a todos os homens, até aos confins da terra. Muitas vezes,verificamos que a violência, a mentira, o erro são propostos e colocados em evidência. É urgente mostrar ao nosso tempo a vida do Evangelho, através do anúncio e do testemunho e isto, desde já, no interior da Igreja. Porque, nesta perspetiva, é importante nunca esquecer o princípio fundamental de cada evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um ato isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que “quando o mais desconhecido pregador, missionário, catequista ou Pastor, anuncia o Evangelho, reúne a comunidade, transmite a fé, administra um Sacramento, ainda que o faça sozinho, realiza um ato de Igreja”. Ele não age “para atribuir a si uma missão, nem age através de uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome dela” (ibidem) E isto dá força à missão e faz sentir, a cada missionário e evangelizador, que não está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.

(nºs 2 e 3 da mensagem do Papa Francisco
para o Dia Mundial das Missões 2013)

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