Arquivo: Edição de 14-06-2013

SECÇÃO: Informação Religiosa

“Pecado na Igreja”

Foi este o título dado à grande reportagem da RTP no “Linha da Frente” do passado dia 23 de maio.
Foi passado em horário nobre daquela televisão pública e, como é habitual também, mereceu ampla divulgação e contundentes ressonâncias. Em causa estava a “lei do celibato sacerdotal e suas implicações”.
A intenção que, de imediato, se adivinhava era a atração de audiências e, pelo conteúdo, outros propósitos também, pois que, pelo título da reportagem até se poderia esperar uma ação verdadeiramente evangélica e apostólica. É que a Igreja sendo constituída por pecadores, a sua missão é proclamar e desenvolver os meios de salvação (libertação) que lhe foram confiados por Jesus Cristo, não concedendo, por outro lado, quaisquer tréguas à luta contra o pecado. Mas não: seguindo uma prática anticlerical e laicizante, a intenção manifesta era denegrir a hierarquia e algumas instituições, que lhe servem de apoio no cumprimento da sua missão. E, aqui também, apontar o dedo para abusos sexuais de membros do clero, deixando a impressão de que é aí que está o grande, o verdadeiro pecado da Igreja.
Para além do conceito redutor de Igreja (os sacerdotes são apenas uma parte, aliás a menor, dos batizados), poderá ter ficado a ideia excessivamente exigente e injusta de que aos sacerdotes não é concedida qualquer desculpa ás suas fraquezas e pecados. Como se eles tivessem de ser importados de uma galáxia qualquer ou fossem escolhidos de alguma ordem de seres angélicos.
Homossexualidade, relações ilícitas e imorais, neste capítulo da sexualidade, perpassam na dita reportagem com um sentido de configuração duma igreja como sociedade escandalosa e vitanda. E, afinal, é a Igreja que, através do seu magistério em fidelidade aos seus princípios doutrinais insistentemente, contra tantas marés e tempestades, neste mesmo capítulo de sexualidade, procura iluminar e esclarecer atitudes humanas para que seja bem entendido e vivido este dom, constitutivo de própria natureza humana, como convite ao amor puro na doação entre duas pessoas (homem e mulher), que se completam ou como forma de ser testemunho e em prol do reino, pela consagração livre e generosa a Deus.
Por isso é que atrás dizemos que aquela reportagem televisiva poderia ser vista como meio evangélico e pastoral. Mas, então, muita coisa teria de ser dita: que o comércio da sexualidade em todos os aspetos desviantes da conceção natural… homossexualidade (sodomia), fornicação, masturbação, juntamente com tantas outras coisas aberrantes e degradantes, ao contrário das campanhas que incitam ou fornecem tais comportamentos, deverá ser encarado a sério na formação de todos, mas sobretudo da juventude. Muito importante também é ensinar que a relação sexual entre homem e mulher, devendo ser a expressão máxima de amor, a qual só tem lugar no compromisso exclusivo e total, são ilícitas as relações pré-matrimoniais e não tem sentido o divórcio e até as simples uniões de facto (falta de compromisso).
Concluindo, nesta matéria da sexualidade, ninguém está isento de responsabilidade perante práticas, que se reconhece serem abuso e pecado; que os sacerdotes, ministros da Palavra e do Perdão, devem primar em ser castos e puros; que deverá ser empenho de todos cultivar as virtudes opostas, nomeadamente a castidade, para obviar ao mal e exaltar e viver de mãos dadas e espírito fraternal; reconhecer que a Igreja, Mãe e Mestra da verdade, continua, no tempo presente, a escrever páginas maravilhosas de testemunhos de pureza, de santidade e de martírio de pessoas em diversas condições de vida; que o espírito de compreensão e de perdão também deverá ter lugar neste campo da sexualidade.
Finalmente e porque o alvo daquele programa televisivo foram os sacerdotes, a palavra de esperança e conforto do papa Francisco com que ele termina a homilia da Missa Crismal na passada Quinta-Feira Santa (28.3.2013): “Que o nosso povo sinta que somos discípulos do Senhor, sinta que estamos revestidos com os seus nomes e não procuramos outra identidade; e que ele possa receber, através das nossas palavras e obras, este óleo da alegria que nos veio trazer Jesus, o Ungido. Amén.
Lima de Carvalho

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