Arquivo: Edição de 22-03-2013

SECÇÃO: Informação Religiosa

Os sinais da Páscoa

Todo o ser vivo é sensível aos sinais que mais convergem para o seu desenvolvimento segundo o reino e a espécie a que pertencem. Plantas e animais só vingam e atingem a plenitude do crescimento, se colocados no ambiente devidamente propício.
Mais do que estes, o homem espreita, espera e luta pela descoberta e exposição de tantos sinais que o ajudem a ser mais, a entender que a força da vida não tem limites, vista sobretudo pelo lado espiritual. É precisamente aqui que se gera a ânsia de infinito, a qual só poderá encontrar o caminho da seriedade, através de meios que estimulem e conduzam a pessoa para realidades que ultrapassam o que a própria sensibilidade natural apreendem.
Na celebração do tríduo pascal – Quinta, Sexta-Feira e Sábado Santo (Vigília Pascal), vários sinais que caraterizam as celebrações, transcendem-se a si mesmos e colocam os crentes na esfera de realidades sublimes.
Os santos óleos benzidos na Missa crismal (Quinta-Feira Santa) dão sentido à caminhada terrena desde o início da fé até situações de prementes debilidades naturais ou até mesmo ao limiar da morte. O óleo dos catecúmenos, administrado logo a seguir ao acolhimento do batizado, é o sinal da fortaleza que se implora de Cristo Salvador para o robustecimento espiritual tendo em conta os combates a enfrentar durante a vida. A unção com o óleo do Crisma, feita a seguir à infusão da água exprime a marca indelével da vida nova de comunhão com a Igreja, Povo de Deus, unido à qual o batizado deverá reconhecer-se sempre como membro de Cristo sacerdote, profeta e rei. O óleo dos enfermos vem lembrar, nas condições atrás referidas, a “necessidade de uma peculiar graça de Deus para que a pessoa não perca o ânimo na aflição, nem, pela força das tentações, venha a fraquejar na fé.
A matéria essencial do batismo, a água, que é verdadeiramente um sinal eficaz de graça, que significa e produz a graça que significa, isto é, por ela, o homem criado à imagem de Deus, é purificado das velhas impurezas, sepultado com Cristo na morte, fica capaz de, com Ele, ressuscitar para a vida.
Outros sinais integram a celebração batismal: a veste branca (toalha) que simboliza a dignidade cristã e a entrega da vela a lembrar o testemunho coerente e responsável da fé em Cristo que, no homem renascido no batismo, deverá ser luz que reflete e ilumina em todos os seus caminhos e em todo o tempo.
Ainda na Quinta-Feira Santa e no começo do tríduo pascal propriamente dito, os três sinais vivos da presença e do encontro perpétuos de Jesus com os seus fiéis: a transformação do pão e do vinho no Seu Corpo e no Seu Sangue – a instituição da Eucaristia, a instituição do sacerdócio e a promulgação do mandamento novo: “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei; nisto conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros”. Pão da Vida, mensageiros da Palavra e expressão viva da pessoa de Jesus que santifica, o ministério sacerdotal – e testemunhas do Amor , eis a tríade que suporta na terra a duração permanente e eterna do mistério redentor de Jesus.
Como elemento sensível que aproxima mais os crentes na contemplação e consciência do Amor de Cristo pelos homens, a Cruz que, justamente, é adorada em Sexta-Feira Santa e se tornou o símbolo + para a correspondência à misericórdia infinita de Jesus.
O lume novo, o círio pascal, a recordação da Páscoa pela leitura prolongada da Palavra e a liturgia batismal constituem, por assim dizer, a síntese e a explosão de louvor que nos vêm, através dos sinais atrás referidos, alguns deles parte constitutiva dos sacramentos da Igreja. Páscoa que é passagem da morte à Vida, Páscoa que é ressurreição e, por isso, garantia de que a conversão pela humildade e pela fé em Jesus que tem tantos encontros marcados connosco opera continuamente a certeza de que o crente, na corrida para o termo da sua peregrinação, está a criar a verdadeira condição de juventude.
No mesmo dia da Ressurreição, da vitória sobre a morte, Jesus deixou o último sinal-sacramento, quando no encontro com os apóstolos reunidos, depois de invocar o Espírito Santo, lhes disse “àqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados…” Eis a chave da Páscoa, a revelação da compaixão e misericórdia do Senhor e, da nossa parte, a certeza de que é sempre tempo de recomeçar e crescer para a vida.

Lima de Carvalho

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