Arquivo: Edição de 22-02-2013

SECÇÃO: Informação Religiosa

“Fé Comprometida. Cidadania ativa”

mensagem para o Dia Nacional da Cáritas - 3 de março

1. O Santo Padre ao propor o Ano da Fé afirmava: “A fé é companheira de vida, que permite perceber, com olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós. Solicita a identificar os sinais dos tempos, no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo” (Porta Fidei, 15)
A fé, como dom a acolher, torna-se realidade presente em todos os acontecimentos. Como encontro íntimo com Cristo “caminha” nos conteúdos da vida humana, sem excluir nenhuma dimensão. Tudo lhe diz respeito e tudo deve ser visto a partir dela. Assumida como encontro com Cristo, deve resplandecer comportamentos e atitudes que tornem visível a solicitude dum Pai Criador, através do amor redentor dum Filho muito amado e segundo a variedade imensa de talentos e qualidades, expressão do Espírito atuante.
2. Esta envolvência da fé na vida permite que ela esteja na história humana sabendo que os sinais que os tempos nos oferecem interpelam-nos e comprometem-nos. Nunca poderemos alhear-nos dos contornos duma sociedade, pois tomamos consciência do bater do seu coração, segundo um “coração que vê” e aí quer tornar visíveis as maravilhas que Deus continua a fazer em favor do seu povo.
Passar ao lado ou ignorar é contraditório duma fé compreendida e comprometida. Percorrendo os caminhos dos homens concretizamos o compromisso da fé através duma cidadania ativa, que acredita na força transformadora dos gestos, enquanto expressão da fé. Se esta é luz que faz compreender o quotidiano humano não podemos desresponsabilizar-nos, deixando de pensar a vida segundo os critérios e de colocar estes na praça do diálogo e do confronto tolerante, colaborando através da reflexão (Semana Social) e acção num novo modelo social.
São muitas as forças adversas que pressionam em sentido contrário. É mais fácil percorrer os caminhos dum passado do que abrir-se a uma novidade cujos contornos podem ser difíceis de individualizar. O evangelho encerra sempre o mesmo valor! E “o cristão não pode pensar que acreditar seja um fato privado”, porque “a fé implica um testemunho e um empenho público”. Daí que fé e anúncio caminhem sempre juntos, assim como a fé e a caridade são irmãs gémeas.
3. Perante a simbologia da palavra crise, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI lança o desafio: “para sair da crise financeira e económica atual, que provoca um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico.”
Sabemos que a Igreja Católica, tem marcado a diferença no campo social, em relação a outras instituições, como o comprova recentemente a “Carta de Louvor” atribuída pelo Conselho de Ministros à Obra Católica Portuguesa das Migrações e o “Prémio Direitos Humanos” atribuído pela Assembleia da República à Cáritas Portuguesa.
Contudo este tempo quaresmal exige-nos um exame de consciência, tendo em vista alcançar o maior de todos os prémios: a vida eterna! Estes reconhecimentos civis são garantia de que estamos no bom caminho, mas o evangelho diz-nos que o caminho ainda é longo. Aliás, Jesus é muito claro “Se não vos arrependerdes…”. E, mais tarde, Paulo subscreverá na Carta aos Coríntios: “Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou.”
4. Por tudo isto, o Dia Nacional da Caritas deve significar a coragem duma presença interventiva na siciedade e, em simultâneo, uma consciencialização sobre o lugar que a caridade deve ocupar nas nossas vidas. A fé incute-nos o dever de oferecer ao Homem uma nova gramática do humano, onde a caridade é o seu estilo de vida. E porquê? Porque desde que a fé e o amor caminhem juntos, apesar de todas as contrariedades, o conceituado filme de Roberto Benini, recorda-nos que afinal “A vida é sempre bela”.

† Jorge Ortiga, A. P.
29 de Janeiro de 2013

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