Arquivo: Edição de 22-02-2013

SECÇÃO: Informação Religiosa

Quaresma

Tempo de Cura e Esperança

Assim como o clima natural é uma característica muito importante para o desenvolvimento dos povos e regiões, assim também, em qualquer tempo e lugar, cada pessoa e a própria sociedade em geral deverão abrir-se às condições mais adequadas para encontrar caminhos de felicidade, que o mesmo é dizer, ser fiel, à sua vocação de amar e servir a Deus e aos outros. Enquanto não for desfeita a tenda em que habitamos, todo o esforço não é de mais para que a intenção de conseguir alcançar a mudança para outra tenda, que é a morada definitiva, a vida eterna, seja, de verdade, um propósito permanente. E, assim como a habitação terrena, temporal, necessita de cuidados, reparações frequentes, às vezes mesmo reconstrução substancial, do mesmo modo, urge ter em consideração as exigências do espírito para atingir aquela meta.
O Tempo sagrado da Quaresma proposto e assente no tripé consistente da Oração, Jejum e Esmola – abertura à Palavra e intimidade com Deus, a múltiplas renúncias de tudo quanto complica a via da purificação e créditos de santidade e a atitude solidária da partilha, torna-se em cada ano e sempre com novos atrativos, uma oportunidade ímpar e que, por via disso, deverá ser generosamente assumida.
Em qualquer parâmetro destas propostas encontramos certamente resistências fortes e aparentemente invencíveis nalguns casos, mas é por isso também que as práticas quaresmais devem ser vividas como um exercício e prova de esforço encarado muito a sério. A ilusão de transformar o mundo num paraíso, de pactuar com as tendências descontroladas dos sentidos e ignorar que isto tudo é apoiado pelo espírito do mal, são realidades que justificarão um desejo muito grande de sair vencedor.
Neste ano da Graça em que o Papa Bento XVI, convida os crentes a escancarar as portas da fé, sentimos com mais acuidade a certeza de que neste processo de caminhada para a nossa identidade clara nunca vamos sós: Jesus está connosco. A par do exercício das práticas da oração, jejum (renúncias) e esmola (partilha), sentimo-lo nos sinais maravilhosos e eficazes de encontro que são os sacramentos. E é o sacramento da Reconciliação (Confissão) que constitui o primeiro anúncio dado aos discípulos reunidos no dia de Páscoa que ficaria assim perpetuamente como forma de sentir e viver a alegria de passar da morte à vida, de ter consciência de que, nesta fé, seremos invencíveis.
As práticas de vida corrente, cada vez mais acentuadas, de recurso ao acompanhamento de psicólogos sobretudo em momentos trágicos, vêm ajudar a compreender que Jesus assumiu todas as nossas enfermidades, exceto o pecado e, no Seu Mistério Pascal, fez-Se remédio para recuperar ou aumentar a vida: no encontro simples, quase informal, com um sacerdote, Ele lá está a dizer que a vida é uma realidade deslumbrante a apontar sempre com mais nitidez a visão da suprema felicidade.
Aceitar o convite, acolher a mensagem da Quaresma com espírito de fé, é reforçar os caminhos da Esperança.

Lima de Carvalho

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