Arquivo: Edição de 14-09-2012

SECÇÃO: Informação Religiosa

A cultura do silêncio | Penha 2012

O arcebispo primaz de Braga, D. Jorge Ortiga, presidiu à 119ª peregrinação arciprestal à Penha no passado dia 9 de setembro.
A multidão de fiéis do arciprestado de Guimarães e Vizela que subiu em peregrinação participou na eucaristia animada no canto litúrgico pelo grupo coral da paróquia de Santa Cristina de Cerzedelo e concelebrada por várias dezenas de sacerdotes.
A celebração contou ainda com a presença do presidente da Câmara de Guimarães e de várias entidades civis do concelho.
A peregrinação marca, em cada ano, o arranque do ano pastoral e o arcebispo primaz deixou no alto da Penha o apelo ao “silêncio ouvinte”, única forma de escutar a voz de Deus que fala a este tempo e este mundo marcado pela austeridade e pessimismo.

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“Qual o contributo que a Igreja, a comunidade dos discípulos de Cristo, poderá oferecer à cultura e à sociedade?”, foi a primeira interpelação do prelado.
Em ano de Capital Europeia da Cultura D. Jorge Ortiga, considerou o silêncio como o primeiro património imaterial da humanidade. O “silêncio ouvinte”, definição da poetisa Sophia de Mello Breyner, serviu de modelo ao arcebispo para apelar aos cristãos da Igreja de Guimarães e Vizela a vivência da Palavra de Deus.
A comemoração dos 50 anos do Concílio Vaticano II é motivo para a celebração do Ano da Fé que o Papa Bento XVI propõe à Igreja do mundo inteiro para viver de 11 de outubro deste ano a 24 de novembro de 2013.
D. Jorge Ortiga, primeiro responsável pela Igreja da arquidiocese apontou o plano pastoral para o quinquénio 2012-2017: redescobrir a identidade da fé professada, celebrada, vivida, anunciada e contemplada.
“A  fé não é uma realidade estática a conservar no âmbito privado. Ela deve ser assumida publicamente sem medo ou receio! Por isso, peço-vos que não vos envergonheis da vossa fé, por muito que isso vos custe! Sem a fé, a sociedade aborta o amor, que Deus plantou nela, gerando-se a anarquia total! Aliás, todos os cataclismos sociais da história universal foram exclusivamente a consequência da negação de Deus e do seu amor. E nalguns casos, por culpa dos cristãos que se inibiram a propor a fé, deixando o mundo surdo e mudo de Deus!”
Das palavras proferidas à homilia conclui-se a ousadia da Igreja bracarense em propor à sociedade o diálogo num encontro inédito no nosso país: o Átrio dos Gentios, a realizar em Guimarães nos dias 16 e 17 de novembro próximo.
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O encontro terá a participação do Cardeal Gianfranco Ravasi,  presidente do Pontifício Conselho para a Cultura no Vaticano e contará, ainda, com a presença de diversas personalidades de diferentes âmbitos da sociedade e correntes de pensamento de Portugal e do estrangeiro.
O valor da vida será o tema dominante daquele Átrio que reunirá à volta da mesma mesa crentes e não crentes para dialogar porque, para o arcebispo primaz: “a fé não se cinge a ritos, gestos e fórmulas, mas também a um jogo dialético de dúvidas e certezas entre crentes e não-crentes. Como ficaria contente que, aqueles que pensam de um modo diferente de nós, estivessem disponíveis para participar neste diálogo tão enriquecedor para ambas as partes! Será certamente uma experiência frutuosa e a repetir-se, em menor escala, no âmbito arciprestal e paroquial.”

C. Silva

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