Arquivo: Edição de 14-09-2012

SECÇÃO: Informação Religiosa

Sínodo 2012: Igreja em busca de respostas

Bispos de todo o mundo vão reunir-se no Vaticano, entre 7 e 28 de outubro, para a 13ª assembleia geral do Sínodo, dedicada ao tema «A nova evangelização para a transmissão da fé cristã». Um encontro que vai procurar dar resposta a “novos cenários” culturais, como se assume no texto preparatório da reunião sinodal.
“Nova Evangelização não significa um «novo Evangelho», assinala o documento, mas “uma resposta adequada aos sinais dos tempos, às necessidades dos indivíduos e dos povos de hoje, aos novos cenários que desenham a cultura através da qual dizemos a nossa identidade e procuramos o sentido das nossas vidas”
O texto pede que os católicos levem a “sério” até os que se consideram “agnósticos ou ateus”, vendo-os mais do que um “objeto de missão” e procurando manter viva a “busca de Deus”.
Desde o Concilio Vaticano II (1962-1965) até hoje. “a nova evangelização se propôs, cada vez mais com maior lucidez, como o instrumento” para enfrentar “com os desafios de novas formas de gnosticismo, que encaram a técnica como uma forma de sabedoria, na busca de uma organização mágica da vida que funcione como saber e como sentido”, assinala o documento.
Outra preocupação apresentada relaciona-se com o relativismo e a secularização que permitiram “ invadir o quotidiano das pessoas e desenvolver uma mentalidade na qual Deus foi posto de parte, total ou parcialmente, da existência e da consciência humana”.
Os “lineamenta” consideram que, no cenário cultural do Ocidente é “muito difícil falar da verdade, recorrendo-se imediatamente ao termo “autoritário”, o que leva a “duvidar da bondade da vida” e “da importância das relações e dos compromissos”.
Por outro lado, acrescenta o documento, “noutras regiões do mundo, assiste-se a um promissor renascimento religioso.
Neste contexto, a Igreja deve “trazer a questão de Deus para dentro dos problemas” da humanidade. Falando numa “ demanda de espiritualidade” na atualidade, o Vaticano alude ao “retorno da necessidade religiosa” e à “procura da espiritualidade que a partir das novas gerações emerge com renovado vigor”.

foto
“A própria Igreja Católica é afetada por este fenómeno, que oferece recursos e oportunidades de evangelização inesperadas há algumas décadas”, pode ler-se. O documento apela também ao “encontro e ao diálogo com as grandes tradições religiosas, especialmente as orientais”, considerados como “uma ótima ocasião para conhecer e comparar a forma e as linguagens da questão religiosa tal como se apresenta nas outras experiências”
Falando na importância de “novas formas de discurso sobre Deus, o texto preparatório sublinha que a tarefa da “nova evangelização” é “levar não apenas os cristãos praticantes, mas também os que colocam perguntas sobre DEUS e o procuram a perceber o seu chamamento pessoal na sua consciência”
Os “lineamenta”foram disponibilizados em oito línguas, incluindo o português e agora discutidos por organismos episcopais e diversas instituições eclesiais, cujo contributo foi recolhido no instrumento de trabalho (instrumentum laboris), publicado em junho.
Ali destacam-se as “enormes possibilidades” e os “grandes desafios” que as novas tecnologias da comunicação colocam à Igreja Católica. “Não há lugar no mundo de hoje que não possa ser alcançado e por isso não estar sujeito à influência da cultura mediática e digital, que progressivamente se estrutura como o “ lugar” da vida pública e da experiência social”, refere. Ao longo do texto são analisados sete cenários: cultural, migratório, económico, político, pesquisa científica e tecnológica, comunicativo e religioso.
Reunindo contributos de bispos e religiosos de todo o mundo, o documento refere a “convicção generalizada que as novas tecnologias digitais deram origem a um verdadeiro espaço social, cujos laços são capazes de influir sobre a sociedade e sobre a cultura”
“Os processos mediáticos tornados possíveis por estas tecnologias chegam a transformar a própria realidade “, assinala-se. Os responsáveis da Santa Sé consideram que a “par dos meios de comunicação mais tradicionais, especialmente como a imprensa e a rádio”, os novos media estão a servir cada vez mais “a pastoral evangelizadora da Igreja, tornando possíveis interações a vários níveis”.
Neste contexto, no entanto, verifica-se a necessidade de “usar o novo espaço social que se criou com as linguagens e as formas da tradição cristã”. É pedida aos cristãos a audácia de frequentar estes “novos areópagos”, aprendendo a dar uma valorização evangélica, encontrando os instrumentos e os métodos para tornar audível também nestes lugares”, acrescenta o documento, disponibilizando em oito línguas, incluindo o português , através da página do Vaticano na internet.
O instrumento de trabalho recorda, por outro lado, que o Sínodo vai decorrer num ano em que BentoXVI decidiu proclamar o Ano da Fé, a começar de 11 de outubro, “em memória do 50º aniversário da abertura do Concilio Ecuménico Vaticano II e do 20º aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica”.
“Os padres conciliares viram no horizonte a mudança cultural que hoje facilmente se constata. Precisamente esta mudança de situação, que criou uma condição inesperada para os crentes, exige uma particular atenção ao anúncio do Evangelho” indica o texto da Santa Sé.
“ A morte de Deus” anunciada nos decénios passados por tantos intelectuais deu lugar a uma estéril mentalidade hedonista e consumista, que conduz a formas muito superficiais de afrontar a vida e as responsabilidades”, assinala ainda o documento.
O Sínodo dos Bispos, pode ser definido em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo, com a tarefa de ajudar o Papa no governo da Igreja.

A.E

Email do Jornal: jornal@oconquistador.com
Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.
Dom DigitalProduzido por ardina.com,
um produto da Dom Digital.