Arquivo: Edição de 13-04-2012

SECÇÃO: Informação Religiosa

Páscoa Deliciosa

Mensagem para o Tempo Pascal
Iniciamos o último trimestre dum período longo dedicado à Palavra de Deus. Quisemos que ela entrasse nos dinamismos mais íntimos das nossas comunidades e que encontrasse nos cristãos um espírito de abertura, em ordem a um conhecimento mais profundo e a uma vida norteada pelas suas directivas.
O evangelho do Domingo de Páscoa relata-nos o pormenor interessante de duas corridas: por um lado, Maria Madalena vai ao sepulcro e, depois de ver a pedra retirada, vai a correr até junto de Simão Pedro; por outro lado, este e o discípulo amado correm apressadamente até ao sepulcro, após esta notícia. Perante esta “corrida da fé”, alimentada pela fé na Ressurreição de Jesus, uma outra corrida surge: a missão. Por isso, chegado o Tempo Pascal, a última pergunta do nosso programa pastoral impõe-se: qual a nossa missão?

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É hora de nos interrogarmos sobre os frutos e de reconhecermos se os objetivos foram alcançados. Importa colocar-se em questão e não ter medo de intensificar a caminhada para confirmar opções ou recuperar o tempo perdido. Deus continua a ser graça para colocar a Sua Palavra no centro da vida das comunidades. Por vezes, parece que continua a existir muito medo de efectuar a revisão. Mas Deus está ao nosso lado e ampara-nos com a sua providência. Logo, queremos ser uma reserva do passado ou promotores criativos de novas iniciativas?
Partimos dum pressuposto carregado duma enorme simbologia. Somos a vinha muito amada de Deus, onde a Sua ternura se patenteou nos cuidados que lhe dedicou, que deve produzir frutos e inutilizar os agraços que deturpam a sua missão. Há frutos novos a produzir. A força que retirou a pedra do túmulo dá-nos coragem para sermos ousados.
Queremos ser vinha amada, não para nosso mero proveito, mas para delícia da humanidade! Estamos no mundo e reconhecemos que a verdadeira alegria está na fidelidade ao dever cumprido. Mas por outro lado, o mundo é o nosso permanente juiz. Não nos impomos pela história ou pelo ambiente que nos circunda. Como certeza de ser “sinal de contradição”, sabemo-nos vocacionados para que nos reconheçam como realidade que lhe diz alguma coisa.
Muitos cristãos continuam instalados num saudosismo que nos distinguiu. Mas os tempos mudaram e já não nos podemos contentar com a normalidade. Se não corrermos a entrar nas problemáticas contemporâneas, não estaremos a anunciar o sentido da vida, levando a Igreja a perder vitalidade. A tarefa é deveras ingente e só a fidelidade ao projeto de Cristo marcará a nossa diferença, incutindo no ADN das pessoas uma nova geração: a “geração da Palavra”.
O que falta para tal acontecer? Aquilo que cada um poderá e deverá fazer para ser Palavra, aqui e agora. A Igreja será delícia da humanidade, se cada um se deliciar com este alimento de valor eterno nos lugares que per-corre. Que a Páscoa renove o empenho para realizarmos o que falta, a fim de nos tornarmos uma comunidade unida pelo mesmo Espírito Pentecostal.

† Jorge Ortiga, A.P.
5 de Abril de 2012.

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