Arquivo: Edição de 13-05-2011

SECÇÃO: Informação Religiosa

Beato João Paulo II na igreja da Colegiada

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No primeiro dia disponível, após a beatificação, D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz benzeu solenemente a tela de Adelino Ângelo sobre o Beato João Paulo II.
À homilia da Eucaristia, no passado dia 7, o presidente da celebração, apresentou João Paulo II como exemplo de quem gastou a sua vida até ao último alento a testemunhar Jesus Ressuscitado. “Não tenhais medo!, abri as portas a Cristo” foi esta a mensagem que o Papa transmitiu aos crentes e ao mundo na consagração do seu pontificado, mensagem que ele próprio encarnou no exercício da sua missão.
D. Jorge Ortiga situou esta mesma recomendação solene no contexto do evangelho sobre a aparição de Jesus aos discípulos de Emaús: não tenhais medo, deixai que Cristo penetre nas vossas vidas; abrir as portas a Cristo para que a força do Espírito dissipe todos os medos e se rasguem caminhos de esperança.
No final da celebração, o D. Prior da Colegiada, depois de reconhecer e louvar o engenho do pintor Mestre Adelino Ângelo e de agradecer ao senhor Arcebispo Primaz, disse: João Paulo II está connosco: é esse o condão das imagens que, sensibilizando o nosso olhar, nos levam à contemplação de Deus, fonte de toda a santidade. Ele continua a indicar-nos o caminho do acolhimento e vivência da Palavra, da devoção profunda a Jesus Eucaristia e a consagração e dedicação sem limites da nossa vida a Nossa Senhora, como a dele: Totus Tuus, Maria. Com a força destes condimentos, nós teremos a certeza de que somos seus aliados para a construção dum mundo de fraternidade e de paz”. 
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Sobre a obra de arte, agora patente a quem entra na Colegiada e a despertar a devoção dos fiéis, o Bispo emérito de Setúbal D. Manuel Martins fez a seguinte apreciação.
Este quadro, para além de passar a História como obra de referência – e vai passar mesmo! – ficará a espantar-nos sempre pela mensagem que é e que nos grita. Vinde, por favor, e fixai-o com atenção. Cá está o gigante que nos aparece no jeito de quem deixa tudo, para, nos ventos do Espírito, correr o mundo a anunciar aos homens que valem muito, que valem Deus, porque Deus os ama. Foi ele até que confidenciou aos jornalistas que o acompanhavam nas cem viagens pastorais ao mundo: “quando fui eleito, senti uma voz interior que me dizia: vai pelo mundo inteiro a anunciar a todos os homens que Deus os ama muito”.
Aquele cabelo solto ao vento e pelo vento que significa senão a sua ânsia do anúncio e as reacções do mundo que não quer receber Jesus Cristo? Aquelas vestes inquietas que significam senão as asas do Espírito que o impelem e ajudam ao anúncio? Aquela Cruz, símbolo da sua fé apaixonada no Salvador, aberta a todas as dificuldades, perseguições e sofrimentos, que significa senão o desejo de fazer crer ao mundo que sem Cruz não há vitória, como sem Cruz não haveria Páscoa?
Aquele rosto feliz e com jeitos de sofrimento de um amor incontido, com pormenores anatómicos que nos deixam cheios de perguntas e de tristezas, dá-nos conta de um Homem que se sente ao vivo representante de Alguém, enviado por Alguém, a proclamar “urbi et orbi” que “não estamos num mundo desgraçado, mas isso sim, na madrugada de um mundo novo”.
Estou a ver Guimarães, esta terra de eleição onde esta jóia vai ser guardada a tornar-se centro de muitos peregrinos que acabarão por perguntar-se pela razão por que este Papa não estará no seu lugar, isto é, no Vaticano”.

L.C.

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