Arquivo: Edição de 21-04-2011

SECÇÃO: Informação Religiosa

PÁSCOA

Caminho da Aliança

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Nos povos que têm história, o sentimento de cumplicidade com o passado é uma realidade incontornável. Convulsões sociais, guerras e crises de vária ordem dificilmente esboroam o núcleo constitutivo da sua identidade. Para não irmos mais longe bastaria tomar a nossa Nação como exemplo para justificar aquela asserção. As grandes mutações que caracterizaram as diferentes idades da História da humanidade tiveram incidência forte no nosso querido Portugal que se revelou um considerável agente activo, especialmente na idade Moderna: haja em vista a época dos descobrimentos com a evangelização e encontro de culturas.
Sonhos, ilusões, determinação e também desencantos e frustrações acompanharam sempre o “fieri” do desenvolvimento e crescimento de povos, como o nosso, com história, deixando uma crosta de experiências que não só não devem ser esquecidas ou postergadas, como, circunstancialmente, bem ponderadas. As estratégias da vida pessoal e colectiva, que menosprezem as lições da experiência, mais cedo ou mais tarde deslizarão vertiginosamente no plano inclinado do fracasso e do abismo.

Estamos na quadra pascal. Os cristãos celebram o mistério redentor de Jesus. Humanamente, Jesus pertencia a um Povo com uma história verdadeiramente singular. O povo hebreu foi marcado desde Abraão como povo eleito e povo da promessa. Fez, desde Abraão até Jesus Cristo, uma história temporal de cerca de mil e oitocentos anos. As longas e duras provações deste povo, acompanhadas de sinais e prodígios, mantiveram-no sempre, apesar de tudo, na perspectiva e na esperança da vinda dum messias libertador. Especialmente desde a saída do Egipto, aquele povo, tantas vezes rebelde e infiel, experimentou na carne que a sua condição existencial era “sair”, isto é, abandonar os caminhos da desobediência a Deus que o assumiu como filho querido. E foram muitos os enviados para corrigir desvios e lembrar a vocação sublime de povo da aliança, frequentemente tão esquecida e desprezada. Na plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho que encarnou e, na Sua pessoa de Deus feito homem, se tornou Páscoa definitiva, nova e eterna aliança de Deus com os homens.
O homem de fé sabe que fora dele não há salvação e, sabe também que Ele é fonte que sacia plenamente o desejo de paz e felicidade. Celebrar o Mistério Pascal de Jesus com a maior intensidade espiritual possível é ocasião única para sair das agruras do deserto e reencontrar o caminho que conduz à Terra Prometida.

Lima de Carvalho

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