Arquivo: Edição de 08-04-2011

SECÇÃO: Informação Religiosa

QUARESMA

Festa de Encontros
 “Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4,21). Foi esta a ressonância da Palavra proclamada pelo próprio Jesus na sinagoga de Nazaré. Ele mesmo era, portanto, a realização do oráculo do profeta Isaías (Is 61,1-2): “O Espírito do Senhor está sobre mim porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a liberdade aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.
Poder-se-á dizer que  este encontro com os habitantes da terra, onde se tinha criado, constituiu como que o seu programa de evangelização, o qual assentaria no anúncio da Palavra e numa multiplicidade de encontros reveladores do seu poder e misericórdia. Um programa que visaria não apenas aquelas pessoas e grupos directamente envolvidos nos diversos cenários da acção evangelizadora, mas, de verdade, também quantos ao longo dos séculos haveriam de ouvir e acreditar na mensagem da salvação e pelos quais Ele rezou na véspera da partida para o Pai. Na linha da frente desta manifestação de bondade e amor estava sempre o propósito de libertar e redimir.

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Assim e tomando apenas alguns encontros como exemplo, no diálogo com Nicodemos, face á perplexidade deste pela declaração “quem não nascer do Alto não pode ver o Reino de Deus”, Jesus revela: “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,3-5). A alegria espontânea de Zaqueu, rico, chefe de cobradores de impostos, grande pecador, foi o resultado da clemência do Mestre que se fez seu convidado para arrancar um testemunho paradigmático de conversão e arrependimento: de pé, Zaqueu comprometeu-se a recompor a sua vida e teve a dita de receber a recompensa do perdão: “hoje veio a salvação a esta casa… o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido (Lc 19,5 segs). No episódio da Samaritana (Jo 4, 7 e sgs) Jesus revela que a atenção a um pedido bem compreensível “dá-me de beber” poderia determinar a descoberta do caminho da autêntica libertação: “Sou Eu que estou a falar contigo”.
A referência a estes três encontros bastará para, num plano de fé, ter a certeza de que o Senhor caminha connosco e quer reavivar a alegria de o sentirmos ao nosso lado e em nós mesmos. Ele quis que, através dos sinais eficazes de graça dados à Igreja, os sacramentos, o fiel pudesse perceber a profundidade da Sua misericórdia.
Situando-nos especificamente no anúncio alegre feito aos discípulos no domingo de Páscoa à tarde, “aqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados…” (Jo 20,23), a Igreja sente que, afinal, os gestos de compaixão, misericórdia e perdão dispensados por Jesus em tanta variedade de encontros são actualizados por Ele sempre que o fiel se dispõe a aceitar o convite a fazer festa, a “regressar” como o filho pródigo da parábola. E a mesa do convívio também está sempre pronta: Ele é verdadeiramente o nosso alimento (Jo.6,51). A Quaresma traz sempre um novo encanto para celebrar os sacramentos, que são festa, particularmente a Confissão (Reconciliação) e a Eucaristia.
 
Lima de Carvalho

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