Arquivo: Edição de 15-10-2010

SECÇÃO: Região

Isabel Maria Fernandes

abdica do cargo de Directora do Museu de Alberto Sampaio
Há dois meses atrás, tivemos conhecimento de que a drª Isabel Maria Fernandes tomara a decisão de abdicar do cargo de directora do Museu de Alberto Sampaio.
E, neste propósito, como ela própria confidenciou, pesou acima de tudo o imperativo de acautelar a saúde. Passará o testemunho ao seu sucessor neste mês de Outubro e acompanhá-lo-á até ao final de Dezembro. Quer aproveitar um ano de pausa sabática para descansar e retomar a tese de doutoramento sobre o tema “a louça preta em Portugal”. Em 2012, voltará para continuar a dar o melhor de si, então como Técnica Superior.

foto
Durante os 11 anos, completados em 28 de Junho na direcção do Museu, Isabel Maria Fernandes realizou a obra nada fácil de identificar a função com a instituição. E, como muitas outras, a instituição Museu de Alberto Sampaio não parou no tempo, não se limitou a resguardar e conservar património, mas soube, através da visão, esclarecimento e verdadeira paixão da sua directora, atrair a comunidade para se colocar ao serviço e organizar um sem-número de actividades que conferiram às pedras e às peças um dinamismo de arranque para valorização e auto-estima daquilo que temos, que é, afinal, o suporte do nosso futuro. Com Isabel Fernandes o Museu continuou a ser palco de actos de natureza artística, histórica, literária, social e até recreativa descritos, aliás, pelos meios de comunicação social, captou a atenção de alguns mecenas para diversos restauros e abriu-se com toda a intencionalidade ao mundo dos jovens, desde os mais pequenos, quer através de produção de visitas guiadas e publicação de roteiros, quer muito particularmente através de actividades nos tempos livres e cursinhos de Verão. A abertura do Museu à noite redundou em aposta claramente ganha.
É extenso e muito rico o curriculum de Isabel Maria Fernandes; pensamos, todavia, que o seu trabalho como responsável do MAS lhe creditou alguns dados não muito vulgares e isto no aspecto já referido, como tendo-se identificado com a instituição: ela intuiu perfeitamente que o Museu encerra os melhores testemunhos de vida da velha, Insigne e Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira e, por isso, desde logo, quis estender a acção do Museu, por meio dos funcionários e técnicos, para proteger, inventariar e catalogar as peças em uso e outras pertencentes à paróquia. Daí que tenha nascido, talvez, o empenhamento para protocolos de colaboração com a arquidiocese de Braga de que resultou a publicação de “Nossa Senhora da Madre de Deus de Guimarães”, editado pela irmandade de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos e três volumes sobre as igrejas de Guimarães “Nossa Senhora da Oliveira”; Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos e S. Paio.
Felizmente que a drª Isabel Maria Fernandes não disse adeus aos vimaranenses nem sequer ao Museu. Esperamos que após o intervalo, ela regresse pelo menos com o mesmo entusiasmo para o Museu e também para alguns protagonismos em 2012 para “Guimarães Capital Europeia da Cultura”.

Lima de Carvalho

Email do Jornal: jornal@oconquistador.com
Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.
Dom DigitalProduzido por ardina.com,
um produto da Dom Digital.