Arquivo: Edição de 25-06-2010

SECÇÃO: Região

24 de Junho – Dia Um de Portugal – 2010

comemoração da Batalha de S. Mamede
Música; a estreia do documentário Afonso; a inauguração da ampliação e requalificação do edifício escolar de Oliveira do Castelo; do Centro de Convívio e da Capela Mortuária da Costa; da Capela Mortuária de Calvos; do Parque de Lazer de Urgezes; do Centro Social e Paroquial de Mascotelos – Santiago; a Renovação da Praça e Beneficiação da Variante de Caldas das Taipas e a Requalificação dos Banhos Velhos das Termas das Taipas e a celebração da Eucaristia na igreja da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira; a Sessão Solene, com a actuação do Coro Infantil de Guimarães e a entrega da Medalha de Ouro da Cidade ao Dr. Jorge Sampaio, preencheram o programa comemorativo do Dia Um de Portugal, celebrado ontem.
Monsenhor José Maria Lima de Carvalho, Prior da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, presidiu à eucaristia evocativa do Dia Um de Portugal – solenidade do nascimento de S. João Baptista. Merecem relevo as palavras que proferiu à homilia: Na circunstância que, neste dia, envolve os vimaranenses em redobrada alegria, comemoramos o DIA UM de Portugal. Efectivamente, a Batalha de São Mamede, pelo seu contexto político e vitória do exército do infante D. Afonso sobre as tropas de D. Teresa, em número muito mais elevado, marcou o início da gestação e desenho de Portugal, Nação livre e independente. 24 de Junho de 1128 conferiu, deste modo, a Guimarães o epíteto de Berço da Nacionalidade e tornou-a um ponto de referência assinalável na história da Nação Portuguesa.
Faz bem, pelo menos uma vez por ano, regressar ao ponto donde tudo começou, à fonte do potencial de energias que têm alimentado a Nação ao longo do percurso, muito perto já de nove séculos. E, acima de tudo, dar graças a Deus e à Virgem Maria, nossa excelsa Padroeira. E também, como não pode deixar de ser, curvarmo-nos perante a memória dos heróis e antepassados que construíram, defenderam e legaram este património. O sentido de homenagem, na pessoa de alguns, a todos os que trabalham com entusiasmo pelo bem da Comunidade é, realmente, uma expressão muito característica do Município de Guimarães para este dia.
Somos um povo com história e, por isso, conforme disse o Papa Bento XVI, no encontro com os representantes da cultura a 12 de Maio deste ano em Lisboa, devemos resistir à tentação de nos deixarmos enredar pela dinâmica da sociedade “que absolutiza o presente, isolando-o do património cultural do passado e sem intenção de delinear um futuro”. Mas, continua o Papa, “uma tal valorização do presente como fonte inspiradora do sentido da vida, individual e em sociedade, confronta-se com a forte tradição cultural do Povo Português, muito marcada pela milenária influência do Cristianismo, com um sentido global de responsabilidade, afirmada na aventura dos Descobrimentos e no entusiasmo missionário, partilhando o dom da fé com outros povos”.
Todos sabemos que, nos dias que passam, são muitos, variados e constantes os desafios que se colocam às pessoas e à sociedade e nem sempre, diria mesmo quase nunca, o estado de crise, que frequentemente se cria, é atacado da melhor forma. Não serão as leis que, aliás, não passam tantas vezes de instrumentos imediatos e artificiais para a criação de modas, designadamente aquelas que se referem à estrutura natural do ser humano e à família, o meio prioritário para trazer saúde e paz ao tecido social. É preciso, antes, que cada pessoa aceite o convite à conversão interior. Não resisto de, a propósito, citar, na íntegra, uma breve história publicada na revista Cruzada (Junho de 2010): o menino que consertou o mundo
“Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava determinado em encontrar meios para tentar resolvê-los. Passava dias inteiros no seu laboratório em busca de respostas para as suas dúvidas. Um certo dia, o seu filho de sete anos invadiu o seu espaço, decidido a ajudá-lo a “trabalhar”.
Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse distrair-lhe a atenção, até que se deparou com o mapa do mundo numa revista. Com o auxílio de uma tesoura, recortou-o em vários pedaços, agarrou num rolo de fita adesiva e entregou tudo ao filho, dizendo-lhe:
– Vou dar-te o mundo para consertares, vê se consegues, mas tens de fazer tudo sozinho! Pensou que assim estava a livrar-se do garoto, pois ele não conhecia a geografia do planeta e iria certamente levar dias para montar aquela espécie de quebra-cabeças.
Uma hora depois, porém, ouviu a voz do filho: Pai, pai, já fiz tudo. Consegui acabar!
Para surpresa do pai, o mapa estava completo e todos os bocados colocados nos seus devidos lugares. Como era possível?
– Tu não fazias ideia de como era o mundo, meu filho. Como conseguiste?
– Eu não sabia como era o mundo, mas quando o pai tirou a folha da revista para recortar, eu vi que do outro lado, tinha a imagem de um homem. Quando me deu o mundo para consertar eu não consegui, pois não sabia como era; mas quando vi, do outro lado o homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem, que eu sabia como era. Quando já tinha consertado o homem, virei a folha e descobri que ficou consertado o mundo!...”
Voltando ao pensamento de Bento XVI, saibamos nós “olhar para além das coisas penúltimas e pormo-nos à procura das últimas, isto é, a aceitar ainda segundo o Papa, o confronto com a fonte primeira da beleza infinita, que é Deus. A experiência tem-nos feito sentir que não há metas definitivas e que “parar é morrer”; conclama, isso sim, que, na busca daquela fonte de beleza e de verdade, encontramos sempre alívio, serenidade e paz.
Ainda no âmbito destas Comemorações realiza-se, hoje e amanhã, às 22,00 horas, no exterior do Paço dos Duques de Bragança, a Parte I e Parte II da Ópera do Centenário da República – CINCO, pela Companhia DeMente.
CINCO é um espectáculo comemorativo dos 100 anos da implantação da República Portuguesa. Com um formato de ópera popular, contemporânea, dividida em dois episódios, apresentados em dois dias consecutivos e narra os principais eventos relacionados com a República desde 1890 até à "Noite Sangrenta" de 1921.
Cinco envolve um elenco fixo de 23 profissionais, aos quais se agregarão elementos locais; é da autoria de Carlos Clara Gomes (música, libreto e encenação).
O programa das inaugurações prolonga-se até ao mês de Julho próximo, com a inauguração da Creche de Guardizela e a inauguração da Piscina de Airão São João, no dia 3 e a inauguração da Capela Mortuária e do Parque de Merendas de Gondomar, no dia 10.



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Nascido em Lisboa em Setembro de 1939, Jorge Sampaio criou desde muito cedo uma relação especial com Guimarães, fundada no facto de seu Pai, o médico Arnaldo Sampaio, patrono do Centro de Saúde, Dr. Arnaldo Sampaio em Urgeses, Guimarães, aqui ter nascido e estudado antes de rumar ao Porto para cursar Medicina na respectiva Universidade.
Eleito Presidente da República, sucessivamente, em 1996 e em 2001, Jorge Sampaio elegeu Guimarães como cidade anfitriã das últimas Comemorações Nacionais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas a que presidiu.
Actualmente é membro do Conselho de Estado, Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, e Enviado Especial do Secretário Geral da ONU para a Luta Contra a Tuberculose. Desde 2009, preside ao Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012.

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