Arquivo: Edição de 14-05-2010

SECÇÃO: Informação Religiosa

Pedro está no meio de nós

No curto período em que se prepara e se distribuiu este número de O Conquistador, Bento XVI realiza a sua primeira Visita Pastoral a Portugal. Convidado pelo presidente da República e pela Conferência Episcopal Portuguesa ele, como há dias afirmou, vem “com muita alegria à terra de Santa Maria”, título secular que, há perto de cem anos, se vem tornando cada vez mais apropriado pelo fenómeno Fátima e pela irradiação da devoção ao Imaculado Coração de Maria, a partir dos testemunhos dos pastorinhos, beatos Francisco e Jacinta Marto, e da acção inspirada da irmã Lúcia.
Não é possível, como se compreende, pela escassez de meios deste humilde quinzenário, fazer eco contextualizado das circunstâncias que envolveram as celebrações e encontros agendados para Lisboa, Fátima e Porto e dos conteúdos das suas mensagens. Poderemos, no entanto, adivinhar que a sua preocupação terá consistido em apresentar-se com a missão de iluminar os homens e as realidades eclesiais e sociais. Os encontros com o mundo da Cultura, no Centro Cultural de Belém no dia 12, com os sacerdotes, diáconos, religiosos/as, seminaristas e agentes de pastoral em Fátima no dia 12 à tarde e, no dia 13 com as Organizações da Pastoral Social, em Fátima, terão, com certeza, provocado diálogo interessante com a fé e orientações para a acção em ordem ao serviço muito concreto aos irmãos e sinal de esperança para a humanidade.
Porém, nas celebrações do mistério da Fé, no Terreiro do Paço, em Lisboa, na Cova da Iria e na Avenida dos Aliados, no Porto, é que se fez sentir mais propriamente a sua missão de Pastor da Igreja Universal: confirmar os irmãos na fé.

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Ao sentir o sucessor de Pedro no meio de nós, os crentes, somos chamados a fazer um exercício de fé: é ele, Bento XVI, que corporiza, hoje, aquela missão, dada a Simão Pedro, junto ao lago de Tiberíades: “apascenta os meus cordeiros; apascente as minhas ovelhas”. Acto solene que, pelo circunstanciado da tríplice pergunta “amas-me?/amas-me mais do que estes?” (Jo 21,15-17), remissão perfeita do pecado da negação pública durante a Paixão, veio confirmar, como é comumente aceite, a promessa “tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado no céu” (Mt 16,18-19). A todos os apóstolos, quando no momento da Ascensão foi conferido o mandato de baptizar e de ensinar a cumprir “quanto vos tenho mandado” foi dada a certeza:”Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28,19-20). Ora, o Romano Pontífice que, como sucessor de Pedro, é perpétuo e visível fundamento da unidade «não só dos Bispos mas também da multidão dos fiéis, conforme recordou o Concílio Vaticano II, (LG 23), transmite de forma mais sensível esta certeza a todos os fiéis.
Acolher o Papa e estruturar o propósito de assentimento e comunhão com os seus ensinamentos e directrizes é, para todos os baptizados, mas sobretudo para quantos estão envolvidos mais directamente na missão da Igreja com os seus carismas e exercício dos diversos serviços e ministérios, um momento verdadeiramente singular para experimentar melhor o conforto da promessa do Senhor “Eu estarei sempre convosco”. E também força para enfrentar e suportar ondas e ventos contrários.
Muitas leituras e comentários, variados e transversais, passarão para a história da Visita do Papa Bento XVI a Portugal. Os católicos, de fé e mandamentos, saberão reconhecer que foi feita uma sementeira promissora. Saibamos sentir-nos grãos, ainda que pequeninos, para que os frutos surjam a seu tempo. Então, mais entusiasticamente louvaremos o Senhor pela graça da presença do Santo Padre no meio de nós.

Lima de Carvalho

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