Arquivo: Edição de 26-03-2010

SECÇÃO: Informação Religiosa

Páscoa e Ano Sacerdotal

 A Páscoa é, com certeza, o ponto mais alto da celebração do Ano Sacerdotal, proclamado em 19 de Junho de 2009, pelo Papa Bento XVI – Solenidade do Sagrado Coração de Jesus – para comemorar o sesquicentenário do dies natalis (nascimento para o Céu) de João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars.
Todo o desenvolvimento da celebração pascal, com início na tarde de Quinta-Feira Santa, é uma revelação em crescendo do Coração Sacerdotal de Jesus Cristo. A instituição da Eucaristia e do Sacerdócio e a promulgação do Mandamento Novo, na véspera da partida para o Pai, são o dom misterioso da misericórdia de Jesus que permitiu aos fiéis viverem em todo o tempo e lugar o cume do Amor Infinito do Redentor, realizado no único sacrifício da Nova e Eterna Aliança na ara da Cruz. A Ressurreição gloriosa ao terceiro dia, ao nascer do sol, quebrando as cadeias da morte e a força do pecado, tornou-se realmente na Páscoa verdadeira e definitiva, permitindo a ligação entre o céu e a terra, entre os homens e Deus por Cristo, com Cristo e em Cristo.
A celebração litúrgica da festa da Páscoa, para os cristãos, é especialmente o pretexto para mergulhar nas fontes da Salvação e experimentarem a alegria que sacia e reconhece que a vivência da Páscoa, no plano da fé, ocupa o dia-a-dia. O suporte desta venturosa realidade é-nos garantido pelo dom do sacerdócio.

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O Ano Sacerdotal constitui certamente uma forte interpelação à Igreja-Povo de Deus. É uma ocasião excelente para combater aquela ideia ainda tão erroneamente sentida de que a Igreja é a porção mais pequena, constituída por aqueles que foram chamados ao ministério sagrado nos diferentes graus do mesmo sacerdócio de Cristo. É, por isso, que tudo o que diz respeito à identidade, vida e ministério sacerdotal interessa e deve fazer parte das preocupações e intenções dos fiéis. Não seria de mais pretender que esta comemoração realizasse uma aproximação leal e clara de todas as comunidades cristãs que são, por essência, família de Deus.
Não podemos deixar porém de admitir que é aos sacerdotes em particular que este ano de graça deve provocar uma revisão profunda da grandeza e dignidade a que foram chamados.
Na sua carta, a propósito desta comemoração, o Papa Bento XVI recorre à vida e ensinamentos do santo Cura d’Ars, tais como: “Oh como é grande o padre (…). Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria (…). Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do Céu e encerra-se numa pequena hóstia”.(4) E, ao explicar aos seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia: “sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem o colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chegar a morrer (pelo pecado) quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no Céu” (5)
Na administração dos meios da graça, especialmente os sacramentos, o sacerdote age em nome de Cristo. O sacerdote, ainda que, por vezes, revestido do manto de pobreza e inúmeras fragilidades é de verdade “outro Cristo”. Ele está sempre no eixo da perenidade da Páscoa do Senhor.
Possa o Ano Sacerdotal, oferta carinhosa do Sumo Pontífice à Igreja, contribuir para uma vivência mais profunda da Páscoa.

Lima de Carvalho

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