Arquivo: Edição de 26-02-2010

SECÇÃO: Informação Religiosa

Pedagogia quaresmal

Reciclagens, ensino recorrente, novas oportunidades, formação permanente e vários outros processos de formação e crescimento, são propostas frequentemente colocadas para se tomar consciência de que a tendência inata de aperfeiçoamento exige complementaridade por parte do tecido social em que o homem está envolvido. O resultado final desejado deverá concretizar-se na afirmação pessoal digna e mais segura e numa sociedade mais responsável e solidária.
A Quaresma, tempo de carácter eminentemente cristão, contém virtualidades únicas para, mesmo para aqueles que não acreditam, se experimentarem ou retomarem novos ritmos de vida. Este tempo litúrgico é como o renascer da árvore que tende a crescer para dar mais vida.
O anúncio “arrependei-vos e acreditai na Boa Nova” define a atitude firme e corajosa, que se impõe: renúncia e abnegação de si mesmo e abertura franca ao modelo de vida do evangelho: construir fraternidade no Amor.

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Será, sem dúvida, muito denso e audacioso o programa a desenvolver daquela linha mestra “conversão e adesão à boa nova”. Como proposta, que é, implica o exercício da liberdade num propósito de fidelidade a opções tomadas. Surgirão, por certo, dificuldades e contrariedades e sempre os critérios do mundo a querer inverter a marcha. Porém, aceite o desafio, não faltarão meios para prosseguir com determinação. O exemplo de Jesus, feito advertência séria para resistir à tentação, vem, de imediato, dizer que, com esta, não se discute. O seu plano redentor entrou publicamente em acção num contexto que faz lembrar a queda dos primeiros pais: sugestão semelhante do tentador, mas reacção absolutamente oposta. Perante a vocação inicial de reconhecimento da soberania de Deus e da missão recebida de “encher e dominar a terra”, Jesus, no quadro das tentações descrito no Evangelho, deixa bem claro o caminho a seguir. A luta pelo pão de cada dia tem de ser acompanhada pelo desejo forte de que “seja santificado o nome de Deus” e que o exercício sincero do perdão “para que Ele nos perdoe também” será o aval para merecer que venha a nós o Seu reino.
A exercitação quaresmal sugere aos crentes um leque alargado de práticas de penitência, a partir da oração, jejum e esmola, as quais, circunstancialmente, devem estruturar a determinação de viver o Mandamento Novo: “amai-vos como Eu vos amei”. Contudo, independentemente de motivações de fé, todas as pessoas, de quaisquer idades, deverão assentir que um período alargado, como o tempo quaresmal, é realmente ocasião propícia para uma revisão de vida muito séria à luz de princípios e valores em que deve assentar a dignidade pessoal e o compromisso de construir fraternidade e solidariedade. Certamente que, para esta dupla atitude, haverá lugar para renúncia a muitas coisas e recurso a formas “medicinais”, que contrariem sobretudo o egoísmo, o ódio, a injustiça... e despertem também a verdadeira vocação para o voluntariado puro e desinteressado.
Uma atenção empenhada de todos à dinâmica deste tempo de graça contribuiria para que os orçamentos que balizam a vida pessoal, da família e do próprio Estado não assustasse ninguém. O desafio está feito; saibamos aproveitá-lo.

Lima de Carvalho

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