Arquivo: Edição de 15-01-2010

SECÇÃO: Informação Religiosa

2009: O ano de Bento XVI

O quinto ano de pontificado de Bento XVI foi cheio de acontecimentos e momentos significativos, que fazem dele o mais marcante desde a eleição papal.
O Papa emergiu como uma figura de referência num cenário de crise, não propriamente por causa de qualquer receita específica para restaurar a regulação nas relações entre o trabalho e o capital ou entre as questões financeiras e as necessidades das famílias e empresas, mas porque para lá das teorias e práticas económicas, apresentou um conjunto de exigências éticas essenciais para superar o actual estado de coisas, num horizonte aberto à esperança e à confiança. Logo no início do ano, perante diplomatas de todo o mundo, Bento XVI defende que “é preciso voltar a dar esperança aos pobres”
“Como não pensar em tantas pessoas e famílias provadas pelas dificuldades e incertezas que a actual crise financeira e económica causou em escala mundial? Como não recordar a crise alimentar e o aquecimento climático, que tornam ainda mais difícil o acesso à alimentação e à água para os habitantes das regiões mais pobres do planeta?”, questionava, logo a 8 de Janeiro, abordando assim as principais questões que o iriam preocupar durante 2009.
Esta preocupação viria a dominar a encíclica Caritas in veritate, o documento mais forte do pontificado e aquele que mereceu um olhar mais atento, sobretudo por parte de quem não se identifica tanto com a Igreja Católica e a sua hierarquia. No dia seguinte à publicação da encíclica, perante milhares de peregrinos, o Papa deixava clara a sua preocupação de fundo: “Um futuro melhor para todos é possível, se for fundado na redescoberta dos valores éticos fundamentais”

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Ao longo do ano, praticamente todas as crises internacionais mereceram, por parte de Bento XVI, um apelo em favor da paz, da reconciliação e do diálogo. O mesmo aconteceu em várias situações de catástrofe natural ou humana.
Entre os documentos publicados por Bento XVI, para além da sua terceira encíclica, a atenção centrou-se na carta que revogou a excomunhão de quatro Bispos lefebvrianos, em Janeiro, e na Constituição Apostólica publicada no passado dia 9 de Novembro, que apresentava normas para o regresso dos grupos anglicanos à Igreja Católica, assim que os mesmos o solicitem. A convocação do Ano Sacerdotal, que a Igreja ainda se encontra a celebrar, para “fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo”, foi também uma iniciativa papal que ficará para a história do ano.
Outro momento alto foi o encontro com artistas de todo o mundo, no Vaticano, a 21 de Novembro, confirmando uma atenção particular do Papa em relação a esta área específica. Dias antes, numa audiência geral, Bento XVI falava no “caminho da beleza” como “um percurso privilegiado e fascinante para se aproximar do Mistério de Deus”. Junto dos artistas, o Papa quis voltar a falar da necessidade de “entusiasmo e confiança”, no actual cenário de crise, perguntando: “O que pode encorajar o ânimo humano a reencontrar o caminho, a elevar o olhar para o horizonte, a sonhar uma vida digna da sua vocação, a não ser a beleza?”. O tema da beleza concluiria a visita papal à República Checa, uma semana depois, com Bento XVI a usar uma citação atribuída a Kafka - “Quem tem a capacidade de ver a beleza, não envelhece” – para apelar à capacidade de “construir um mundo que reflicta algo da beleza divina”
Diversas intervenções, culminadas na mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010, serviram ainda para reforçar a imagem de “Papa verde”, preocupado em lançar na agenda eclesial e mundial as questões da defesa do ambiente, sempre em ligação com o desenvolvimento integral dos seres humanos.

in A. Ecclesia

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