Arquivo: Edição de 23-12-2009

SECÇÃO: Informação Religiosa

Um filho nos foi dado Emanuel – Deus connosco

«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou. Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo; alegram-se diante de Vós, como os que se alegram no tempo da colheita.» (Isaías, 9/1-2).
Queridos (as) leitores (as): - Sabemos que nesta época de Natal, todos os cronistas falam deste tema. Eu também não quero passar ao lado, pois pretendo dar uma abrangência a áreas que tocam a solidariedade, bem própria deste tempo, mas que não devem ser descuradas no resto do tempo. A Solidariedade é própria de todos os seres humanos, independentemente da raça, cor, religião, credo; pois pertencem ao maravilhoso mundo de DEUS, nas mais variadas formas de expressão.
Todo o mundo pode ser um lugar maravilhoso para viver, desde que cada homem, mulher, coloquem os interesses de todos acima dos particulares. Recordo a frase do escritor Napoleon Hill, no livro, Paz de Espírito, Riqueza e Felicidade: (os homens rezam juntos ao domingo e caçam-se ferozmente de segunda a sábado).
Entramos num mundo globalizado, em que cada um (puxa a brasa para a sua sardinha), mas chega ao batente em que os ricos esmagam os pobres, mas depois têm pouca vida financeira. Façam falir todas as empresas, exijam do estado (dinheiro do povo), que paguem para ter empregados; e eu pergunto-vos: - Ó ricos, até quando fareis oprimir os pobres? – Destrui as vossas empresas, despedi todos os trabalhadores, deslocalizai as empresas, cometei todas as arbitrariedades contratuais e financeiras; fazei o favor de destruir tudo e todos. Os vossos filhos, netos e bisnetos mendigarão por pão e trabalho, porque as riquezas que vós acumulastes com a ajuda de quem trabalhou para vós, estão amaldiçoadas e não chegarão para vos dar um fim de vida digno. Tende ao menos a dignidade de não vos confessardes neste Natal, para não cometer sacrilégios. Confessais tudo, mas esqueceis-vos do pão dos pobres, dos que perderam as suas casas por desemprego oriundo de falências fraudulentas.
E vós, banqueiros, estais a pedir ao Estado apoios para liquidez financeira, quando andastes com o spred, euribor e afins, aos tombos, a gozar com os pobres, e no fim ficais-lhes com as casas que tanto se têm esforçado para manter? - Os lucros chorudos dos vossos balanços financeiros estão no betão dos apartamentos que roubaste aos pobres, porque, não conseguindo aguentar os aumentos das prestações sempre em alta, só lhes restou desistir e entregar tudo aos bancos, e agora estão vazios e sem compradores. Aos que pretendiam ter casa própria e às aplicações financeiras em que enganaste os investidores com contratos de bons juros, com letras miudinhas para ninguém ler. Políticos, vigaristas, corruptos e toda a gama de furões financeiros, tendes coragem de prender quem rouba para comer, quando vós roubais de colarinho branco com todos os disfarces de supostas legalidades.
E vós caseiros, que sem consciência não actualizais as rendas das casas e até muitos de vós (têm casa própria e vivem a explorar o velho senhorio que passa miséria porque investiu numa área que foi alterada por leis selvagens)? - Temos rendas de poucos euros. Pensem comigo: - se os senhorios andassem com as rendas ao sabor dos esquemas bancários, (spred e euribor), os pobres caseiros só poderiam viver debaixo das pontes e em cavernas, e neste caso, os senhorios ficavam com as casas ao abandono. Não é isto que acontece com o mal fadado crédito à habitação? – Para mim chama-se roubo legalmente construído!
E os que abortam os filhos com toda a (suposta) legitimidade de uma lei feita de abstenções, onde os católicos ficaram à lareira? - Estou com o profeta Jeremias que diz acerca do pensamento dos errantes: - «Que tem Ele a ver connosco? Nenhum mal nos advirá, não cairão sobre nós nem a espada nem a fome. Os profetas são apenas vento, a palavra não está com eles». (Jr-12-13). Mas o profeta continua com a pronuncia das desgraças da Ira de DEUS, que se cumpriram no exílio na Babilónia.
E vós polícias, que dais tudo para facturar sobre os automobilistas, que vão no seu caminho e não fazem mal a ninguém, (caça à multa). A Justiça é lenta para os criminosos, mas para os automobilistas o julgamento é no dia seguinte. Gostais do vosso trabalho? – Tendes coragem para atingir marginais?
Nada fica sem a sua recompensa, Bendito seja DEUS!
Comprai muitas luzes, pinheiros de Natal, fazei muitos banquetes, estai em paz, e depois do Ano Novo, continuai a explorar, até ao dia em que nada existirá mais para explorar, e ninguém comprará os produtos das vossas empresas, porque não têm dinheiro. (De que adianta um burro custar um euro, se eu não o tiver)? – Olhai; - se é para virar a mesa da economia, vira-se já?!!! – E não vos surpreendais pela violência galopante. É inevitável. A Igreja já avisou há décadas, que a Paz nasce da Justiça.
Cito o profeta Amós, (8/4-7): - «Ouvi isto, vós que esmagais o pobre e fazeis perecer os desvalidos da terra, dizendo: - Quando passará a lua nova, para vendermos o nosso trigo, e o sábado para abrirmos o nosso celeiro, diminuindo o efá, aumentando o ciclo e falseando a balança para defraudar? – Compraremos os necessitados por dinheiro, e os pobres por um par de sandálias, e venderemos até as alimpas do nosso trigo. O Senhor jurou pela soberba de Jacob: - Não esquecerei jamais nenhuma das suas obras.» - Isto cheira-me a Euribor, Spred, colarinhos brancos e afins?!
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Reafirmo a frase do nosso querido S. Francisco de Assis: - «Eu vejo DEUS em cada pedra, em cada flor, em cada animal, em todos os homens, amigos e inimigos. Se amamos DEUS, devemos amar a Sua Obra». – E este santo de DEUS chamava irmã à morte. DEUS me livre se ela não existisse. Quem aguentaria os ricos de ganância e poder?!!! – Bendito seja DEUS pelos limites que colocou às experiências humanas. Na ganância, o maravilhoso Mundo de DEUS seria uma tortura eterna.
Meus queridos (as) leitores (as), sou católico, mas desejo escrever com uma abrangência máxima, de forma que os meus pensamentos sejam comuns a várias religiões e culturas, daí procurar ser imparcial com todas as formas de pensamento. Relembro o Irmão Roger Shullts, assassinado por uma mulher psiquicamente desequilibrada. Em plena segunda guerra, recebia refugiados de todas as confissões religiosas e não lhes impunha uma pressão espiritual. Saia para as montanhas para rezar e cantar. Bendito seja DEUS por todos os jovens, homens, mulheres e crianças, que respeitam a diferença sem dogmatismos. Eu estou nesta faixa Ecuménica e não saio dela. No meio dos erros, aventuras e descobertas, DEUS é companheiro, e quem quiser procure-O.
«Amei a Sabedoria mais do que a saúde e a beleza, e antes a quis ter que a luz do sol, porque a sua claridade jamais se extingue. Com ela me vieram todos os bens. Mas eu não sabia que era ela a mãe de todas as riquezas». (Sabedoria, 7/10-12).

Bom Natal
Paz e Bem
JOSÉ MACHADO

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