Arquivo: Edição de 26-06-2009

SECÇÃO: Generalidades

foto
Cognominem-se os Caudilhos

Seria injusto dizer-se ou pensar que se vive com falta de informação em Portugal ou noutros países semelhantes ao nosso.
As inteligências portuguesas soçobram em catadupa. Há informação.
Os Poetas desintoxicam-se amiúde, recuperando forças para novos sabores das palavras; os Romancistas proliferam pelas ruas e vielas da cidade e da montanha, libertando-se das ilusões criadas; os Historiadores dizem o que sabem e predizem outro tanto, parecendo leitores da sina através da palma das mãos; e, certo Jornalismo, até consegue saber e afirmar sem peias, o que de muito difícil ou de mistério se vai passar em qualquer lado - do que ainda se não passou - para justificarem o ordenado que ganham.
Eis porque, sou possuidor de milhares de documentos existentes na minha biblioteca, documentos que me provocam o riso, a pena, a ira, a euforia da intelectualite, logo, um verdadeiro conhecimento “do todo” que me rodeia.
Assim, calçando como de costume as luvas com que maneio as minhas obras de biblioteca, dei, um dia destes, com um livro que me serviu para aprender a história de Portugal na minha quarta classe, datado de 1938! Docemente, folheei-o, recordei coisas que já tinha esquecido e quando me preparava para (docemente) o colocar na prateleira devidamente aveludada, perguntei a mim mesmo porque razão os Reis que nos governaram tinham o respectivo cognome.
Desse modo, recordei que D. João III, era o Piedoso; que D. Afonso VI, era o Vitorioso e que Dona Maria II, foi a Educadora e, assim, todos estavam cognominados.
Então, pus-me a reflectir e concluí que, já a meio do século passado, os nossos educadores eram completos no poder de informar. E novamente me perguntei porque acabaram com essa informação de não cognominarem os caudilhos das passadas e actuais repúblicas. O que me parece injusto não ter sido feito, pois claro!
Pois entendo que, se estamos na era da informação total, democrática e onde se pretende que o povo saiba mais e esqueça menos, é culturalmente positivo que se informe, se escreva e se registe por exemplo, que o General Costa Gomes, foi o Corticeiro; que o General Ramalho Eanes, foi o Recuperador; que o Dr. Mário Soares, foi o Perdulário; que o Dr. Jorge Sampaio, foi o Manobrador; que o actual Presidente da República, é o Delicadinho; que o Engenheiro Guterres, foi o Fugitivo; que o Dr. Durão Barroso, foi o Medroso; que Santana Lopes, foi o Perseguido; que o Engenheiro Sócrates, é o Mentiroso e, assim sucessivamente. Convenhamos que tem sido uma falha clamorosa, não se ter registado tudo isto!
É que o povo tem necessidade de saber efectivamente quem são e o que foram os nossos votados reis da política, para não caírem em novos erros. E os portugueses têm repetido seus erros no acto eleitoral, uma vez que não conseguimos anular a “tanga” em que vivemos. E tudo isto é a falta dos cognomes registados a partir de 1910. Portanto, falta a informação total, que nos tem levado à perda de memória.
É verdade que, nunca como nos tempos que correm, se sabe praticamente de tudo e de tudo se vê, sempre e segundo a informação que o mundo dá ao mundo.
Hoje, informar é fácil e até já não é necessário escrever-se a fogo nas madeiras nem a cinzel nas pedras. Só os Grafitos – velhacos e gente da noite – parecem ter necessidade de desabafar nas paredes de tons claros.
O tempo de se escrever no papel, tende a desaparecer, pois tudo pode ser registado doutros modos que não aqueles. Sendo assim, tendem a desaparecer também as tipografias e, as bibliotecas, não aumentarão de número, correndo até o risco de as existentes fecharem.
A minha biblioteca – parte também herdada dos meus avós e dos meus pais – contém alguns milhares de livros ainda por ler, com excepção daqueles que são de consulta. Não sei quantos metros de livros possuo nem o valor real, isto é, valor em Euros. Serão uns milhares largos de Euros!
O que conheço dos livros que possuo - segundo o prólogo - são os temas que desenvolvem: amores desfeitos, amores traídos, vigarices de toda a ordem, mentiras das mais descabeladas, formas de enriquecer com o dinheiro dos outros, economias paralelas, história antiga e moderna, filosofias do desenrasca, filosofias do “pós vinte e cinco do quatro”, filosofia dos clássicos escritores, dos apaixonados, dos frustrados, dos gangsters portugueses e estrangeiros e dos modernos cow-boys nocturnos. Possuo ainda temas de religião e de ciência corrente, isto é, de ciência canina: como de mercenários com alma conspurcada, a futurologia de astrólogos sem telescópio, de adivinhos fanatizados, de médiuns onde sobressai a loucura, etc., ciência vulgarmente conhecida como “a ciência ou a escrita dos deputados do Diabo”.
Embora me coíba de o afirmar, sou péssimo leitor dos livros que adquiri e que herdei. E uma vez que tendo como tenho o dom da escrita, não leio, para não correr o risco de plagiar ninguém ou de repetir o que já se sabe ou até de ficar “marcado” cerebralmente, por algum autor que abusivamente entre no meu “eu”. E este meu “eu”, é um lugar sagrado! Razão porque não admito carregar com as ideias dos outros, mas sim aquelas que eu próprio penso, construo e sigo, obedecendo lealmente à minha consciência e ao total respeito pelos outros.
Assim, não lendo os livros de ninguém, não ensino ideais ou filosofias alheias, não penso segundo os outros e não mostro ser possuidor de uma inteligência ou sabedoria infundada, o que constantemente se constata na praça pública.
A vida por mim vivida, tem sido minha mestra e educadora. E a vida ou os pensamentos falados e escritos dos outros, só me “entram” se forem sérios e se me ajudarem a crescer.

Artur Soares
Junho de 2009

Outras Notícias

Outras Notícias da secção Generalidades
· D. Afonso Henriques

Email do Jornal: jornal@oconquistador.com
Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.
Dom DigitalProduzido por ardina.com,
um produto da Dom Digital.