Arquivo: Edição de 29-05-2009

SECÇÃO: Generalidades

O NOSSO MUNDO

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Fraqueza ou Ignorância?

Por mais que procure catar, para saber qual é a espinha dorsal deste Governo, ou para se poder afirmar em que regime político se inspira, pouco ou nada vislumbro.
Será um governo de democracia musculada? De ditadura fascista ou comunista? Será um governo de inspiração monárquica?
É realmente estranha a sua actuação, uma vez que liberal não é de certeza. É que o liberalismo distribui e, este Governo, usa diariamente a rapacidade, rapa nos bolsos dos indefesos.
Recordo a fome e a pobreza nacional dos anos cinquenta do século passado, provocadas pelos rapaces de então e pelo rescaldo da guerra que lhe antecedeu.
Foi difícil viver “neste jardim” e a tuberculose foi o resultado da actuação
dessas aves de rapina: milhares de vidas se perderam, pela falta também de medicamentos contra essa calamidade.
Atingidos os anos sessenta e até ao ano de setenta e cinco, a economia nacional já era favorável aos portugueses e, “o fascismo”, fazendo aumentos de dois ou de três tostões nos bens de consumo, deu-se ao luxo de distribuir o subsídio de natal, bem como dar metade das reformas dos falecidos aos cônjuges sobreviventes.
Efectuada a revolução por meia dúzia de inocentes (em política) militares, que tinham horror do capim, da manta e do cantil às costas, nunca mais este país se equilibrou e, hoje, sofrem-se dificuldades de toda a ordem, a rapinice de quem nos tem governado (democraticamente?), a mentira permanente aos cidadãos e, até “o dinheiro euro”, tem servido para extorquir os ossos dos pobres, uma vez que carne já não têm.
E se sentimos dúvidas em que regime político se integra este Governo Sócrates ou de quem é filho, é porque não se compreende que auto proclamando-se defensores do “socialismo em democracia”, saquem ao povo parte dos benefícios económicos dados pelo fascismo de então. Mais: se a extrema direita de então, era da sua política, tirar, porque dava?, porque deu? Se o ideal do “socialismo em democracia”, é distribuir/dar, porque não dá e para estupefacção dos que têm as miolos no sítio, tira o que por Lei não lhes pertence!
Sendo assim e se bem se pensa, quem são estes senhores?, donde vieram e a quem obedecem tais governantes?, que actuam mentindo, sendo prepotentes e que nada programam para que menos se gaste, mais se produza e mais se exporte?
Limitam-se, sem escrúpulos, sem democracia e ao estilo da gajice, a esvaziar os bolsos de quem trabalhou arduamente e daqueles que nem o cotão têm no fundo dos bolsos.
Se estes milhões de votantes, não ficarem loucos até às próximas eleições legislativas, serão – estes pirólogos da democracia – colocados onde lhes pertence: no ostracismo.
É que tudo lhes serve para extorquir! Só falta aos portugueses, pagar uma taxa por nascer e por morrer. Só falta pagar, uma taxa de saída dos hospitais. Só falta pagar uma taxa, por se esperar nos corredores hospitalares, para se ser atendido. Só falta pagar uma taxa, para se poder andar nas ruas – como já pagam os cães – ou para nos dirigirmos para outro distrito de passaporte no bolso. Só falta pagar uma taxa, pela permanência constante na tumba!
Para azar de todos, a nossa democracia, esta, não tem paralelismo com qualquer outra que se vive em qualquer país da Europa e, tem muitos anos de atraso em relação à democracia ensinada por Cohen nos anos sessenta, aos seus alunos da Universidade de Michigan.
A democracia de Abril – a nossa – não passa de democracia à portuguesa, isto é, estouvada, sem metas e mentirosa.
Democracia estouvada, porque os seus impolíticos lideres, não têm tido capacidade de a fazer brilhar e, portanto hoje, continua uma democracia do medo, dos amigos. Democracia sem metas, por que foi iniciada por impolíticos actores, uma vez que ainda hoje não se sabe como tirar partido dela e muito menos se sabe que dias ainda virão. Democracia mentirosa, por que quanto mais fraco é o homem, quanto mais fraco é um povo, mais os dirigentes têm necessidade de mentir.
E se uma democracia avança com ilusórias políticas e por homens ignorantes da vida pública, surge a aversão, o lucro de ocasião, o medo do dia seguinte, o jogo escondido dos meliantes, a frieza do pensamento social, que, como se sabe, é perigoso por proporcionar injustiças e homens de estômagos vazios.
De maneira que, se os nossos políticos têm sido banais, também é verdade que todos têm sido mentirosos, porque talvez “nasceram” fracos de entre o seu “fraco povo”.
Creio que os portugueses têm noção da existência das dificuldades económicas e sociais, conhecidas em vários pontos do mundo. Ninguém é insensível ou ignorante que não sinta ou desconheça o mundo difícil, cão, que actualmente somos. Todavia, Portugal, que tem possibilidades de ser e de ter algo mais do que é e do que tem, deixa-se embalar por vulgares políticos, mesmo que em nome da democracia distribuam somente medos, perseguições e desrespeito social. E se por “fraqueza política” for mentira a democracia deste Governo, que eles se conheçam a si mesmos, se injectem com sangue de novos ministros, pois o poder dado a Sócrates pelos portugueses está nas ruas, nas praças e não na Assembleia da República, local onde tem a obrigação de estar e de zelar pelos interesses nacionais e pelo bem de todos.

Artur Soares

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