Arquivo: Edição de 27-02-2009

SECÇÃO: Informação Religiosa

Desafios assumidos pelos trabalhadores

A crise em que vivemos não é uma crise de agora, é uma crise que tem já algum tempo, talvez anos.
Mas este tempo também pode ser favorável para a procura e o renascer de novos caminhos. Como cidadão estou preocupado, porque todos os dias parecem ser diferentes para pior.
Sou um homem de Fé e de Esperança, que acredita no Deus que enviou o seu Filho Jesus Cristo à terra, que morreu e ressuscitou para salvar a humanidade.
Também tenho a certeza de que os homens e as mulheres são capazes de mudar o rumo dos acontecimentos e Deus não estará fora desta certeza, desde que os homens e mulheres queiram.

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Esta crise em que vivemos não é só uma crise de dinheiro e de meios, é uma crise muito mais profunda que tem a ver com o homem, com a pessoa concreta. É talvez uma crise de humanidade. Tem a ver com o facto de o homem se ter esquecido de conteúdos importantes que fazem parte da sua integridade. Valores que foram esquecidos, pequenas coisas que fazem a vida dos homens e das mulheres. Importa, assim, valorizar o que de bom se faz mesmo em tempos de crise.
A situação em que vivemos não foi criada pelos trabalhadores e muito menos pelos pobres. A crise foi criada pelos vários poderes políticos, económicos, financeiros e outros, que comandam os países e o mundo.
Esta é, talvez, uma das provas de que a Globalização tem sido mal feita, porque não tem em conta o homem, mas só o capital. E é o homem que é importante, não o dinheiro.
Não se pode deixar de responsabilizar estes agentes do capital, que são homens, pela falta de humanismo posto nos sistemas que criaram. Não quero condenar ninguém, mas não podemos deixar de os co-responsabilizar pelas situações provocadas.
Creio não ser justo não ter havido, dos Governos de todo o mundo, disponibilidade financeira para socorrer e minorar as dificuldades das famílias e das pequenas e médias empresas.
Vimos que, de um momento para o outro, o Estado arranjou dinheiro para financiar os bancos e as sociedades financeiras, para estes pagarem os seus erros. Podese perguntar: para onde foi o dinheiro?
Digo mesmo que, em Portugal, os gestores e directores deveriam ser responsabilizados pelo mau desempenho.
São as pequenas e médias empresas que devem ser ajudadas, porque são elas que dão trabalho a uma grande parte dos trabalhadores e são estes que produzem a riqueza.
O desemprego é uma constante preocupação, porque sem trabalho não se produz riqueza.
É importante que se garantam os postos de trabalho. O trabalho é o principal meio que o homem tem ao seu alcance para se realizar com dignidade, como homem e como filho de Deus. Valorizar o trabalho, dignificar a pessoa, deve fazer parte de todos os contratos de vida.
Não consta que as empresas, que davam milhões de euros de lucro, tenham dividido com os seus trabalhadores os resultados. Mas agora, ao mais pequeno problema, despedem e fecham as fábricas.
Será que os donos das empresas, ou os seus directores vão para o desemprego?
É o sistema neo-liberal, capitalista, que falhou em todas as vertentes. Por isso deve ser quem o implementou a assumir as responsabilidades.
Em verdade, digo que também as organizações da sociedade civil têm a sua quota-parte de responsabilidade, especialmente aquelas que estão mais próximas dos trabalhadores.
É preciso mudar e romper com estes sistemas criados de vícios. Não podemos resistir às mudanças, mesmo quando temos de abdicar de alguns privilégios, porque neste sistema existem privilégios que travam as mudanças.
É importante mobilizar a sociedade, as pessoas, para a mudança, e isso é da competência das organizações que nasceram com a democracia. Penso que é possível mudar, mas as pessoas têm de ser animadas para essas mudanças.
As organizações têm um papel importante nesta mudança, porque são estas que falam às massas, são elas que conduzem o Povo.
As pessoas já não acreditam nos políticos, então o desafio está colocado aos líderes das organizações civis e religiosas.
Vamos falar com verdade, para que seja possível conquistar as pessoas para o compromisso.
Eu, que sou um homem de fé, quero continuar a transmitir, anunciar que é possível viver melhor neste mundo concreto.
Desafiando, também, todos aqueles que acreditam no Projecto Libertador de Jesus Cristo, pois devemos ser sinal de contradição, denunciando as injustiças. Esse pode ser o nosso contributo para uma nova evangelização, assumindo, com São Paulo: “ ai de mim se não evangelizar”.

José Domingues Rodrigues
(Vice-Coordenador Nacional
da LOC/MTC) in A.E.

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