Arquivo: Edição de 10-10-2008

SECÇÃO: Generalidades

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O NOSSO MUNDO
Expectantismo

Diz o povo, e não só, que há certas doenças em certos doentes que “só o tempo as curará”. E nós, devido à vivência que temos, estamos d’acordo e bem sabemos quais são esses males. Logo, subentende-se que a mãe Natureza, o tempo e a própria estrutura física do doente – sem intervenção de algo ou de ninguém – irão resolver a cura.
Ora isto, é expectantismo!
Se há dores e males que vão perturbando e enfraquecendo o homem, outros males se conhecem que podem contaminar todo um povo: refiro-me concretamente, aos males do tempo perdido!
Nós por cá – assim o entendo – perdemos (mal) mais de setenta por cento do nosso tempo! Tem-se visto e sentido no todo nacional, que o país se encontra desterrado no tempo perdido!
Muito do nosso tempo, é passado a dizer mal uns dos outros e, tantas vezes, a fazer mal aos outros e a nós mesmos.
Gasta-se tempo à espera! À espera que a doença, dentro ou fora dos hospitais, passe; espera-se por nascer e espera-se por morrer; espera-se pela noite e pelo dia; pela alegria e pela doença; espera-se pelo dinheiro do nosso trabalho e pelo médico; pelo advogado e pelo chefe da repartição; espera-se pela paciência e pela substituição dos governantes que actuam segundo a mentira e vivem distribuindo expectantismo; espera-se nas longas reuniões a programar o que tantas vezes se não concretiza e espera-se pela esperança de se possuir brio individual e colectivo; esperam os jovens, as aldeias, as vilas e as cidades e espera o povo a competência e o sólido carácter dos responsáveis, dos lideres políticos que não temos.
Nós por cá, vivemos numa autêntica sala de espera, onde todos esperamos por tudo, ou já por nada!
Recorde-se e faça-se reflexão sobre os últimos e graves problemas acontecidos na sala nacional: o apito dourado, relacionado com os useiros e vezeiros do desporto; os incendiários anuais, comandados contra a nossa floresta; os pedófilos putrefactos e as caras públicas que a esse mundo parecem pertencer; a droga, que às claras, entra e se vende por altos preços nas nossas prisões; as muitas horas passadas nos empregos, sem que correspondam à produção inventariada; os indivíduos duvidosos estrangeiros (parece que perigosos), a festejar no Avante com ideais utópicas e mortas; a perseguição, a calúnia e o desprestigio organizados por este governo Sócrates contra os professores, restante função pública e o cego assalto à carteira da classe média e mais pobres; o desemprego que não resolvem - mas piorando – provocando violência de toda a ordem, assaltos organizados e a parasitologia social; a violência de tantos lares, devido à instabilidade económica dos que têm de comer o arroz sem nada e de pagar a prestação da habitação; a vergonha do futebol nacional, onde uns são promovidos a inteligentes e perseguidos, e outros, a facínoras e rapaces.
E muitos mais casos! E onde se espera ..., e onde existe o expectantismo!
Pobre país, pobres os portugueses que esperam há pelo menos noventa anos, que estas tristes, perigosas e madraças repúblicas, deixem de colocar o povo à espera, nesta triste sala de esperandos, com aspecto de antecipadas múmias.
Na jactância da política, iludem e ostracisam quem neles confiou, imperando a promoção dos camarilhas, dos afilhados e o uso dos últimos modelos de vestidos, fatos e gravatas.
Enganam e iludem o povo que espera, e sempre com o apoio de televisões servilistas, pregam a sinceridade e o esforço desprendado.
Com tanta expectativa imposta, com tamanha sala de espera e à espera de tudo, não passamos de portugueses que diariamente gasta moedas falsas, uma vez que tais diminuídos, somente distribui dinheiro falsificado.
Bem sei que a vida do homem, não passa de um “esperar na vida”, por uma vida autêntica, de felicidade e dignidade. Mas o que nos têm dado, são insuficientes migalhas, que bem longe estão de matar a fome dos pobres e a já fome da classe média.
Pertencemos a um pequeno vestíbulo onde todos esperam, tendo como único remédio, o tenebroso e perigoso expectantismo.

Artur Soares

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