Arquivo: Edição de 27-06-2008

SECÇÃO: Região

2.° Centenário da Aclamação do Príncipe D. João em Guimarães

“Em meados de 1808, o Norte de Portugal sublevou-se contra a dominação francesa, afirmando a sua obediência ao Príncipe Regente, D. João. Guimarães seria a primeira terra do Entre-Douro-e-Minho a anunciar a aclamação pública do Príncipe, pelas quatro da tarde do dia 18 de Junho, antecedendo o Porto em algumas horas. Os acontecimentos que se seguiriam à aclamação ficariam gravados nos anais de Guimarães e das suas gentes solidárias e aguerridas”.
É com esta referência que é apresentada a obra O TEMPO TÃO SUSPIRADO – 2º. Centenário da Aclamação do Príncipe D. João em Guimarães.

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Esta obra e uma exposição de gravuras, parte de uma notável colecção adquirida por Martins Sarmento a Joaquim de Vasconcelos para ser doada à Sociedade Martins Sarmento, ilustram um dos feitos gloriosos das gentes de Guimarães na repulsa pela invasão e ocupação das tropas francesas, sobretudo na região de Entre Douro e Minho.
António Amaro das Neves, no passado dia 18, à mesma hora que, há 200 anos, Guimarães cometeu aquele feito notável, ao inaugurar  aquela  exposição e falando pela primeira vez como presidente da Fundação Martins Sarmento, mimoseou as dezenas de estudiosos e amantes da história com uma síntese da História de Portugal no início do sec. XIX, caracterizada pelo desastre que constituíram para Portugal as invasões francesas, mas enfatizando também repetidamente a acção da coragem e bravura dos vimaranenses.
O Tempo Tão Suspirado é a alusão a um discurso de Fr. António Pacheco, que se tornou célebre e, aliás, define bem os sentimentos da população vimaranense e portuguesa.
João Gomes de Oliveira Guimarães, Abade de Tagilde, em 18 de Junho de 1908, no 1º Centenário daquela que ficou conhecida como Guerra Peninsular, na qualidade de presidente da Câmara, no longo discurso, que proferiu, diz:
Às seis horas da tarde do dia 18 de Junho de 1808, o povo de Guimarães e vizinhanças, com a câmara e autoridades reune-se nos Paços do Concelho, e aí, por convicção voluntária, uniforme e geral, prorrompe em entusiásticas aclamações ao Príncipe Regente e à indepêndencia da pátria; todos sem excepção de classes, de clero, nobreza e povo, oferecem com a mais decidida espontaneidade o sacrifício de suas vidas e fazendas à causa santa de autonomia nacional.
Da Câmara todos se dirigem à Colegiada e aí, ante a imagem da Virgem da Oliveira, poderosa patrona dos vimaraneneses, em o mesmo altar onde Afonso Henriques e João I curvaram as frontes e dobraram os joelhos, endereçam súplicas ao Todo Poderoso, ao Senhor Deus dos Exércitos, com o mesmo fervor e pela mesma causa que o haviam feito aqueles piedosos de grandes reis: a explusão do estrangeiro, a restauração da pátria. Uma solene procissão com os retratos dos príncipes regentes sob o pálio, imediatamente organizada, percorre as ruas de Guimarães e a ela se associam, no meio dos mais vivos transportes de alegria, todo o bom povo desta boa e portuguesa vila.
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Não se circunscreveram a orações os trabalhos neste dia inovidálvel nos anais de Guimarães, angaria-se um forte destacamento de cavalaria para defesa e guarda da vila e imediações; busca-se que todas as câmaras e povo das vinte e sete vilas e concelhos, que constituiam a grande e importante comarca de Guimarães, sigam e acompanhem um movimento aqui iniciado sob tão felizes auspícios.

(O Tempo Tão Suspirado, pags 88 e 89)
 
Os acontecimentos de oposição às tropas francesas pelo mesmo descritas creditam, de facto, a Guimarães um valor que jamais poderá ser esquecido e que merece ser recordado devidamente.

L.C.

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