Arquivo: Edição de 13-06-2008

SECÇÃO: Região

Fundação Dr. Manuel Teixeira de Melo

No passado dia 31 de Maio, em sessão solene realizada no Clube Industrial de Pevidém, o Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Dr. António Magalhães, conferiu posse aos membros dos órgãos sociais da novel Fundação Dr. Manuel Teixeira de Melo.
Constituída por escritura de 28 de Março passado, esta Fundação de Solidariedade foi outorgada pelos filhos e noras do homenageado, na qualidade de fundadores, assumindo o cargo de presidente o Engº. Manuel José da Cunha Teixeira e Melo.
Tem esta fundação como objectivo contribuir para a promoção da população do concelho de Guimarães, em especial da freguesia de S. Jorge de Selho, terra onde o homenageado viveu a maior parte da sua vida e à qual dedicou todo o seu saber e acção, através do propósito de dar expressão organizada no dever de solidariedade e de justiça entre os indivíduos, mediante a concessão de bens e a prestação de serviços.
Para a realização do seu objecto, de harmonia com a vontade dos fundadores, propõe-se a Fundação criar e manter, entre outras, as seguintes actividades:
- Creche, Jardim de Infância e diversas valências de apoio social a crianças e jovens;
- Actividades de apoio à população idosa e inválida no âmbito da Segurança Social;
- Actividades de apoio à família e à maternidade;
- Actividades de apoio à primeira e segunda infância no âmbito da Segurança Social;
- Habitação social;
- Promoção de actividades culturais, artísticas, lúdicas, desportivas e de formação profissional;
- Promoção e protecção da saúde, designadamente com a prestação de cuidados de medicina preventiva, curativa e de reabilitação.
No momento da posse testemunhada por mais de meia centena de familiares e convidados, usaram da palavra o filho mais velho do homenageado, Dr. Luís da Cunha Teixeira e Melo e o Presidente da Câmara Municipal. O primeiro para dizer, por outras palavras, que o pai fez do exercício da profissão um verdadeiro sacerdócio – missão de serviço aos outros – e de forma abnegada e desinteressada. O sentido de entrega e doação gratuita constitui uma indelével memória e exemplo para a posteridade.
O Dr. António Magalhães revelou um certo conforto nas considerações que quis fazer a propósito do acto e da personalidade do Dr. Manuel Teixeira de Melo. Para ele, as lições de vida do homenageado e o exemplo da família são valores a exaltar e propor para a sociedade de hoje. Felizmente, disse também, que Guimarães está na linha da frente das regiões do País em que a família tradicional tem resistido melhor.


Dr. Manuel José Teixeira de Melo
O Dr. Manuel José Teixeira de Melo, filho de Joaquim José Teixeira Coelho de Melo, e de Camila Pacheco de Freitas, o mais novo de uma família de 9 irmãos, nasceu na Casa da Granja da freguesia de Carreira, concelho de Vila Nova de Famalicão, no dia 25 de Abril de 1905.
Frequentou nessa freguesia a Instrução Primária, que concluiu no dia 13 de Agosto de 1917, com aprovação no exame de 2.° grau feito nesse dia em Vila Nova de Famalicão.
Matriculou-se, então, no Liceu de Martins Sarmento em Guimarães já frequentado por alguns dos irmãos mais velhos, no dia 4 de Outubro de 1917, ficando inscrito com o n.° 35 da 2.ª turma da 1.ª classe.
Foi aí colega de Guilherme de Faria e de João Faria Martins.
Ficou aposentado na Casa de Adelina Ribeiro da Costa (“Costinhas”), na Rua Elias Garcia (actual Rua de Santa Maria).
Concluiu o Curso dos Liceus (7.° ano), no mesmo Liceu de Martins Sarmento no dia 8 de Agosto de 1923.
Matriculou-se posteriormente na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 1924, onde viria a concluir o curso de Medicina e Cirurgia em 29 de Novembro de 1929, com 24 anos de idade e elevadas classificações.
Diplomou-se, depois, no Instituto Ricardo Jorge de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa, curso esse que concluiu especializando-se em doenças tropicais.
Entretanto exerceu a medicina em Benavente (distrito de Santarém) durante dois anos.
Fixou-se cerca de 1931 numa casa no lugar do Vau, da freguesia de Joane, do concelho de Vila Nova de Famalicão, onde teve consultório até cerca de 1934, ano em que, tendo comprado uma casa no lugar de Leiras da freguesia de S. Jorge de Selho pertencente à família Mendes Ribeiro, abriu seu consultório.
Desenvolveu aí com total disponibilidade uma intensa actividade profissional, em prol especialmente das classses mais desfavorecidas, actividade essa exercida vinte e quatro sobre vinte e quatro horas e quase graciosamente, e que estendeu às freguesias limítrofes de S. Jorge de Selho, nomeadamente à de Riba d’Ave, em cujo Hospital prestou serviço durante muitos anos, alguns como Director, e à freguesia de Ronfe, onde desde a fundação da casa do Povo e durante largos anos, atendeu os seus sócios sem cobrar honorários.
Pelo menos desde 1941, foi Médico Municipal do concelho de Guimarães.
Em 19 de Fevereiro de 1941, contando, pois, 35 anos de idade, casou na Capela da Casa da Quinta do Salgueiral (actual Lar de Santo António, em Guimarães) com D. Maria Aida de Jesus Correia da Cunha, filha de Francisco Inácio da Cunha Guimarães e de D. Emília Rosa de Abreu Correia.
Foi durante algum tempo médico das Caixa de Previdência e Abono de Família e, na década de 50, Subdelegado de Saúde do concelho de Guimarães.
Foi pioneiro na área da Medicina no Trabalho que exerceu em algumas empresas da região tais como Têxteis Lopes Correia e Coelima - Industrias Têxteis, SA.
Na freguesia de S. Jorge de Selho foi médico da Casa dos Pobres, Director da Sociedade Musical de Pevidém, e no Clube Industrial de Pevidém foi Presidente do Conselho Fiscal, da Mesa da Assembleia Geral e da Direcção, em vários mandatos, entre 1935 e 1957.
Faleceu em 30 de Outubro de 1996, com 91 anos de idade e enquanto a saúde lhe permitiu, até menos de um ano antes da sua morte, continuou a estudar, a actualizar-se, a ler as mais recentes revistas e os últimos livros publicados, por forma a manter um conhecimento, tão presente quanto possível, da ciência a que se dedicara e de outros ramos do saber.
Para além da Medicina, interessou-se vivamente por assuntos de Agricultura, de que era profundo conhecedor, tendo sido dirigente da Adega Cooperativa de Vila Nova de Famalicão, foi um estudioso de literatura portuguesa, sendo especializado em Camilo Castelo Branco, e, nos últimos anos da sua vida, dedicou-se também a estudos de História de Portugal, sobretudo aos vultos da região, entre os quais Egas Moniz, de quem descendia, e Salvador Ribeiro de Sousa, que foi Rei no Pegú e era natural de Ronfe, bem como a estudos genealógicos, deixando uma profunda e valiosíssima biblioteca de obras dessas áreas.

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