Arquivo: Edição de 16-05-2008

SECÇÃO: Informação Religiosa

Um feriado especial
Queremos Deus

Na quinta-feira a seguir à oitava do Pentecostes – este ano 22 de Maio – a Igreja celebra a Solenidade do Corpo de Deus. A origem desta festa partiu da diocese de Liége, Bélgica, e foi estendida á Igreja universal em 1264 pelo Papa Urbano IV.
Em Portugal, é certo que, no princípio do sec. XV, com D. João I, a festa do Corpo de Deus era já celebrada com solene procissão. Nos nossos dias, inúmeras instituições e comunidades fazem festa com redobrado fervor, incluindo a procissão.
O dia do Corpo e Deus é, segundo a lei geral da Igreja, um dos dez dias festivos de preceito que, juntamente com outros cinco, em Portugal, é feriado nacional, permitindo aos cristãos celebrá-lo com o carácter de dia santo, como são todos os domingos.

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No meio de tantas distracções e ignorância a várias níveis a que não escapa a religiosa, muitas pessoas não chegam a perceber que este feriado diz respeito declaradamente à Igreja Católica e muito menos descortinar o motivo para se libertarem um pouco das ocupações habituais e fazerem festa. Os cristãos mais conscientes sabem que  se trata de uma vivência forte para alimentar a fé. É como que uma manifestação externa da alegria espiritual incontida por possuirmos o grande dom do sacramento da Eucaristia: a presença real de Jesus sob as espécies consagradas do pão e do vinho. A festa do Corpo de Deus é, de facto, um eco grandiloquente de Quinta-Feira Santa.
Ao longo dos séculos, por entre incidências violentas e crises doutrinárias e de identidade, a Igreja encontrou sempre no culto eucarístico, professado publicamente, uma força incomparável para vencer hostilidades e contradições e cimentar a fé.
Sobretudo desde a instituição do movimento providencial, que é o Apostolado da Oração – a caminho já dos dois séculos – desenvolveram-se inúmeras  iniciativas, que depressa se oficializaram, tais como os tríduos do Sagrado Coração de Jesus e muitos congressos eucarísticos regionais, nacionais e internacionais. O impacto directo nos ambientes mais populares e humildes, quanto àqueles, e a repercussão das conclusões dos congressos transformaram-se em mananciais de doutrina e referências esplêndidas para aguentar provações, quantas vezes insidiosas, na vivência e afirmação da fé.
Também aqui o encanto das melodias a dar vida a conteúdos doutrinais, elaborados artisticamente, tem sido um instrumento precioso para interiorizar e exprimir a mensagem.
Entre nós, nos momentos manifestamente difíceis, vividos no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, salientou-se, de forma ímpar, o cântico que mais “audiências” cativou: “Queremos Deus, homens ingratos / Ao Pai supremo / ao Redentor / zombem da fé os insensatos /erguem-se em vão contra o Senhor”.
Em todas as manifestações de fé, por ocasião da Festa do Corpo de Deus, parece-nos muito pertinente retomar e retumbar de terra em terra sem preconceitos e a plenos pulmões “o queremos Deus”.
Face à absorção corrosiva do laicismo e relativismo moral; perante a submissão e escravatura à publicidade do prazer carnal; perante a procura do gozo imediato e da lei “do salve-se quem puder” é preciso gritar “queremos Deus”, mesmo que os instrumentos a utilizar estejam já fora de competição.
“Queremos Deus” é verdadeiramente a fórmula mais simples e porventura mais eficaz de contribuir para que o vizinho, o companheiro de estudo, de trabalho, das instituições e o associativismo ao menos ponham em causa os caminhos a seguir para atingir a meta da felicidade.
 
Lima de Carvalho

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