Arquivo: Edição de 24-04-2008

SECÇÃO: Região

Monsenhor Cónego Eduardo Melo

No dia 19 de Abril, às 8 horas da manhã, foi encontrado sem vida no quarto em que se recolhera na Casa da Senhora do Carmo, no Santuário de Fátima, o Monsenhor Cónego Eduardo de Melo Peixoto.
Faleceu em plena campanha apostólica, aos oitenta anos de idade, um dos membros mais notáveis da arquidiocese de Braga dos últimos tempos. Encontrava-se em Fátima para um encontro com responsáveis dos Cursilhos de Cristandade e haveria de, logo de seguida, presidir ao Congresso da TUREL (Turismo Religioso), na Póvoa de Varzim.

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Para além da informação singela do inesperado acontecimento, apenas queremos deixar aqui um modesto, mas justo depoimento, acerca do Cónego Melo: a sua vida e obra constituem um valiosíssimo património espiritual , pastoral, moral e até material da igreja bracarense.
O Cónego Melo, exemplarmente metódico e disciplinado, não perdia tempo. Incarnava com rara e larga eficiência a fórmula de “ver, julgar e agir”, o que levou a “gastar-se” num universo tão largo de realizações e a ser um sacerdote tão empenhado e próximo das pessoas e instituições. Assenta-lhe perfeitamente a rima do poeta Correia de Oliveira: “... ser sacerdote é isto somente; não ser de si nem dos seus para ser de toda a gente”.
Soube estar no mundo sem ser do mundo; conseguiu ser um cidadão atento, e actor interessado na defesa e promoção de valores da sociedade em momentos mesmo cruciais, e estar sempre por dentro dos agentes de progresso da sua querida cidade de Braga.
Firme ao lema que adoptou “aguenta que é serviço” foi insidiosamente julgado e crucificado na praça pública, mas com a força do espírito,  imerso numa fé profunda e na palavra de São Paulo que ele citava como familiar porta-voz “basta-me a minha graça”; “tudo posso nAquele que me conforta”, tudo suportou com abnegação e belo testemunho cristão.
Como testamento espiritual deixou-nos a todos e particularmente aos muitos milhares de membros dos Cursos de Cristandade, a sua vinha predilecta, o lema “eu e Cristo maioria absoluta”. A fidelidade a este compromisso fez com que ele recebesse a graça de “morrer de pé”.
Santa Maria de Braga, Nossa Senhora do Sameiro, a quem o Cónego Melo erigiu monumentos e atraíu multidões, falar-nos-á sempre deste filho dilecto. E nós também não esqueceremos de falar-lhe dele.
 
Lima de Carvalho

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