Arquivo: Edição de 11-04-2008

SECÇÃO: Informação Religiosa

45.ª Semana de Oração pelas Vocações “Da Vocação à Missão.”

Mensagem de D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro e Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, para a 45.ª Semana de Oração pelas Vocações | 06 a 13 de Abril de 2008
1. A presente mensagem do Santo Padre Bento XVI sobre “as Vocações ao serviço da Igreja – Missão” convida-nos e ajuda-nos a preparar condignamente a próxima Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, a celebrar no dia 13 de Abril de 2008.
Desde o início do seu ministério apostólico, o Santo Padre Bento XVI, retomando uma já longa tradição, sublinhou a importância do ambiente e destacou o sentido em que a vocação deve ser acolhida e em que esta Jornada vocacional deve ser vivida.
Exige-se também aqui um olhar novo e diferente. É neste olhar novo e atento para a Igreja Mistério, Comunhão e Missão que a vocação deve ser entendida por aqueles que sentem o chamamento e identificam a voz de Deus e pelas famílias e comunidades onde Deus chama.

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As mensagens do Santo Padre para este Dia Mundial de Oração pelas Vocações constituem uma tríade que deve ser recebida, lida e entendida na sua unidade e na sua complementaridade. A teologia da vocação tem necessariamente de ser compreendida a esta luz, verdadeira luz de esperança, que brota do amor infinito de Deus que, pela Igreja – Mistério, Comunhão e Missão, nos chama a ser servidores da sua alegria, testemunhas da sua bondade e apóstolos do nosso tempo.
2. Missionária na sua essência, no seu conjunto e em cada um dos seus membros, a Igreja sabe que o imperativo de viver, testemunhar e anunciar o Evangelho é de todos os cristãos desde o Baptismo e sobretudo desde a Confirmação. Para compreendermos o dinamismo, a génese e o percurso de cada vocação devemos mergulhar neste oceano imenso de graça e de santidade, de mistério e de comunhão, de serviço e de missão onde se desenvolvem a vida e o testemunho cristão de cada um de nós.
O mistério de amor de Deus pela humanidade e as promessas divinas feitas ao povo de Israel concretizaram-se, cumpriram-se e “realizaram-se plenamente em Jesus Cristo” que escolheu discípulos para continuarem a sua missão.
A vocação tem sempre esta génese e evoca em permanência esta história: é dom de Deus e é olhar efectivo e afectivo de amor e de compaixão redentora para com o povo.
O sacerdote, o(a) consagrado(a) e o(a) missioná-rio(a) são sinal desta aliança divina e são caminho profético de libertação e de salvação de pessoas e de povos que reencontram Deus e redescobrem o sentido da Vida e da História. Vivendo como discípulos de Jesus, o Mestre, e dóceis ao Espírito Santo eles sentem-se enviados em missão, em discretos e anónimos trajectos ou em percursos novos e corajosos junto de quem sofre e de quem trabalha pelas causas justas e urgentes de um mundo em busca de Deus, de dignidade e de esperança.
Nunca nos faltou no exemplo de Jesus e na vida da Igreja o lugar e o tempo dados à oração e à contemplação como formas imprescindíveis a preceder e a acompanhar a vocação a uma vida activa ou a fundar o carisma e a missão da própria vocação à vida contemplativa. Este é um dom inesgotável de graça e de bênção a que devemos incessantemente recorrer. Lembra-nos o Santo Padre que “somente num terreno espiritualmente bem cultivado brotam as vocações para o sacerdócio e para a vida consagrada”.

3. A oração, a alegria de ser chamado, a coragem de chamar, a disponibilidade confiante para trabalhar na pastoral juvenil e vocacional, a vida cristã das famílias, o ambiente formativo dos Seminários e das Congregações e Institutos Religiosos e o acolhimento e compromisso apostólico das comunidades e instituições cristãs são alguns dos inúmeros momentos, meios e mediações de uma verdadeira e criativa pedagogia da vocação.
O exemplo de S. Paulo e o “discurso missionário” de S. Mateus, que o Santo Padre refere na Mensagem, falam-nos de uma verdadeira cultura da vocação respaldada na simplicidade, na verdade, na confiança, na conversão e na coragem, características tão próprias dos jovens de hoje e de sempre.
São múltiplos e “comoventes os testemunhos que poderão inspirar muitos jovens a seguirem Cristo e a gastarem a sua vida pelos outros”, diz-nos Bento XVI. Sentimos todos igualmente que são muitos, generosos e criativos os testemunhos daqueles que se decidem hoje a trabalhar com alegria na pastoral vocacional nos seus âmbitos mais diversificados e nas suas expressões mais belas. Também isso nos diz que a hora que vivemos é uma hora de Deus que, em jeito de vigília, anuncia manhãs de esperança.

4. Pede-nos o Santo Padre que a sua Mensagem, dirigida a todas as comunidades eclesiais, possa suscitar “subsídios de oração e encorajar o empenho de todos os que trabalham com fé e generosidade ao serviço das vocações”.
Foi nesta Mensagem que se inspirou, com dedicação e alegria, o Secretariado Diocesano de Pastoral Juvenil e Vocacional de Aveiro, a pedido da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, para elaborar este Guião a multiplicar pelas dioceses, comunidades e movimentos e grupos apostólicos de todo o País. Esta referência de justa gratidão é também um sinal da comunhão e da partilha que a Comissão Episcopal Vocações e Ministérios tem procurado incentivar e promover entre as dioceses.

5. Que Nossa Senhora, a Estrela da Esperança, nos ensine a “implorar do Senhor o florescimento de novos apóstolos” e a trabalhar nesta missão da pastoral vocacional com alegria e com generosidade.

António Francisco dos Santos
Bispo de Aveiro e Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios

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