Arquivo: Edição de 25-01-2008

SECÇÃO: Região

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O Toural do Futuro

A revolução urbanística que se prevê para o Toural tem merecido a atenção dos munícipes, e se alguém tinha dúvidas a tal respeito, algumas delas (mas não todas) foram dissipadas na noite passada numa mesa redonda realizada na Sociedade Martins Sarmento dedicada ao tema.
Há dias, em cavaqueira amiga, verifiquei que o centro da discussão se centrava numa questão simples: “Toural com árvores ou Toural sem árvores?”. No íntimo, considerava que a questão não merecia tanta disputa: a história do Toural diz que houve épocas em que a praça tinha árvores, a que se seguiram épocas em que a praça as não tinha. Daí que, se lhe tirassem as árvores agora, mais ano menos ano, alguém as iria repor, quiçá por pressão da opinião pública que, nesta matéria, como noutras, se caracteriza pela sua volubilidade.
Daí, aceitar intimamente que seria interessante experimentar um Toural sem árvores, porque, em qualquer momento, sempre se poderia voltar atrás, recolocando-as.
Esta mesa redonda fez-me pensar de outra maneira.
Prevê o projecto que o Toural seja esventrado para, no seu subsolo, se fazer a circulação rodoviária e o aparcamento de automóveis, sendo certo que, segundo foi afirmado, a existência desse túnel seria o único meio de retirar a circulação automóvel da superfície da praça, um dos pressupostos exigidos pela Câmara aos projectistas.
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Não conheço as razões que levaram a Câmara a impor esse pressuposto pois, que saiba, não houve discussão pública de qualquer plano da circulação rodoviária da cidade, se é que existe. Logicamente, é por aí que se deveria começar.
Assim, partindo do princípio que a eliminação do túnel, nesta fase do campeonato, está fora da discussão pois equivaleria ao aniquilamento de todo o projecto, gostaria de saber se a existência do túnel é compatível com a existência de árvores à superfície, sobretudo árvores de raízes aprumadas, as únicas que, segundo julgo, garantiriam uma menor deformação do piso.
Se os técnicos responderem que é compatível, fico descansado, porque se a população, daqui a algum tempo, tiver saudades de árvores no Toural, nada a impedirá de as recolocar. Mas se os técnicos responderem que não, que a existência do túnel torna irreversível o abate das árvores, então eu voto contra.
Por princípio sou contra tudo o que tem o carimbo de “irreversível”. A vida tem demonstrado que aquilo que num dado momento histórico se afigura inquestionável, passado algum tempo vê contestada a sua bondade e, mais tarde, é considerado inconveniente, ou feio, ou de mau gosto, ou fora de moda… e posto de lado.
Entendo que deve ser dada aos nossos filhos e netos a possibilidade de mudar, se assim o entenderem, a fisionomia do Toural. Que pensariam os democratas vimaranenses de 1910 se fossem irreversíveis as grades do jardim do Toural?...
Não. Façamos o Toural ao nosso gosto, está certo, mas não criemos obstáculos intransponíveis que impeçam os nossos filhos e netos de o recriar à sua maneira. É o mínimo que podemos exigir.

13 de Dezembro de 2007
Fernando José Teixeira

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