Arquivo: Edição de 10-11-2006

SECÇÃO: Região

100 Anos ao Serviço da Cultura Vimaranense
Marcha Gualteriana


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Por iniciativa do presidente da Comissão Executiva da Marcha Gualteriana, Alberto Oliveira, decorreu, no passado dia 3 de Novembro, no Salão Nobre da Sociedade Martins Sarmento, a Conferência 100 Anos ao serviço da Cultura Vimaranense, subordinada ao tema Marcha Gualteriana – Passado, Presente e Futuro.
Foram conferencistas convidados o dr. Armindo Cachada, jornalista e autor de variadas publicações, entre as quais, “Cem anos da Marcha Gualteriana nas Festas da Cidade” e o prof. Capela Miguel, devotado estudioso das tradições e associações vimaranenses. Presidiu e moderou a sessão, a vereadora da Cultura do Município de Guimarães, drª Francisca Abreu, também presidente da Mesa da Assembleia Geral da Marcha Gualteriana.
Ficou claro que Marcha Gualteriana, Festas da Cidade e Festas Gualterianas são hoje aspectos dum to-do que teve origem em meados do séc. XVI com as de-nominadas “feiras francas”. Vale a pena referir aqui o que Armindo Cachada descreve na Revista da sua autoria “Guimarães – Cem Anos da Marcha Gualteriana nas Festas da Cidade”, cujos textos, aliás, serviram para as considerações produzidas na dita conferência.

Das “Feiras Francas” às “Festas da Cidade”
As festas Gualterianas entroncam nas antiquíssimas “Feiras Francas de Agosto”, que desde o tempo de D. Afonso V se realizam em Guimarães sob a invocação de São Gualter. Foram os homens da Associação Comercial e Industrial, na altura liderados por João Mello que se abalançaram à tarefa de revitalizar estas antigas feiras, que na altura se encontravam decadentes, e fizeram-no com tanto sucesso que as transformaram nas Festas da Cidade e Gualterianas. Passados cem anos, continuam a ser o principal cartaz turístico e o maior factor de atracção de visitantes a Guimarães.
Foram três as vertentes que as Festas Gualterianas assumiram, desde o início. Em primeiro lugar, mantiveram o carácter das “feiras francas”, que se vinham realizando ininterruptamente desde 1542, por concessão de D. Afonso V, que as revestiu de muitas e valiosas franquias e privilégios. Inicialmente, realizavam-se de 7 a 17 de Agosto, mas rapidamente passaram para a data de 2 de Agosto, num local que viria a receber, por essa razão, o nome de “Campo da Feira”, como refere o cronista franciscano Manoel Esperança na sua “História Seráfica dos Frades menores”, publicada em 1656, embora o Abade de Tagilde atribua tal designação toponímica já aos primórdios do século XIII. A verdade, porém, é que a “Feira Franca de São Gualter” está ligada, desde início, ao Campo da Feira, actual Largo da República do Brasil, sendo aí que se concentra, ainda hoje, uma significativa parte da animação popular que envolve estas festas.
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A segunda vertente, foi a transformação desta “Feira Franca” em “Festa da Cidade”, envolvida num conjunto de iniciativas de cunho lúdico, económico e cultural que, de imediato, ganharam a adesão da população vimaranense, toda ela mobilizada para a sua realização.

Da “Milaneza” à Marcha Gualteriana
O terceiro aspecto, que viria a reforçar e a fazer perdurar, no tempo, o carácter festivo deste acontecimento, foi a criação da “Marcha Milaneza”, mais tarde designada por “Marcha Gualteriana”, um cortejo que teve tal impacto sobre as festas, e de tal modo se identificou com elas, que, não podendo esta realizar-se, ficavam comprometidas as próprias Festas da Cidade, passando a realizar-se as “Feiras Francas de São Gualter”.
Ano a ano, nomeavam-se as Comissões e subcomissões de Festas encarregadas de levar a cabo o evento festivo da cidade, que cedo impôs o seu carácter de originalidade nos meios turísticos nacionais. A nomeação atempada ou tardia destas comissões, embora tivesse a ver, muitas vezes, com as disponibilidades económicas para realizar as festas, eram um aspecto fundamental para o seu êxito ou para a sua mediocridade já que os festejos exigiam uma grande capacidade logística e, portanto, necessitavam de vários me-ses para a estruturarem. Sempre que nos foi possível, fizemos um levantamento documental destas comissões e subcomissões, com destaque para as pessoas que as lideravam.
A “Marcha Gualteriana” teve sempre uma comissão própria, ligada, primeiro, aos Empregados do Comércio, depois ao Sindicato dos Caixeiros e, mais tarde, à Associação Recreativa da Casa da Marcha, que desde 1968 assegura institucionalmente a sua realização.

O prof. Capela Miguel pretendeu reportar-se às origens mais remotas do evento, que faz parte da identidade vimaranense. Falou, por isso, do começo do franciscanismo em Guimarães, no séc. XIII, ainda em vida de S. Francisco de Assis, o qual enviou para cá um grupo de discípulos, em que se integrava S. Gualter. Personagens, associações, programas e especialmente os obreiros da Marcha foram objecto de largas considerações.
Subjacente a tudo quanto foi dito, sentiu-se bem a inquietação de todos: Marcha Gulateriana – que futuro? Alberto Oliveira tomou também a palavra, patenteando a sua larga experiência na realização das Festas da Cidade e, em síntese, apelou para o desenvolvimento de potencialidades e mecanismos que garantam o entusiasmo necessário à sua manutenção. Foi mesmo lançada a ideia de que seria interessante empenhar as freguesias no sentido de cada uma assumir tarefas determinadas. A preocupação continua e, por isso, esperam-se novos desenvolvimentos.

Z. M.

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