Arquivo: Edição de 27-10-2006

SECÇÃO: Generalidades

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Leituras e Mensagens...

153.° – A Sexualidade vista à Luz da Revelação
A riqueza do significado da sexualidade segundo a Bíblia assenta, essencialmente, naquilo que podemos chamar de atracção sexual realizada sobretudo no matrimónio e na família.
No livro dos Génesis 2,18 afirma-se textualmente: “Não é bom que o homem esteja só, dar-lhe-ei uma auxiliar que seja digna dele. E por isso abandonará o pai e a mãe e se unirá a sua esposa e os dois serão uma só carne” (Gen 2,24).
O Homem está profundamente marcado pela sexualidade, não só no corpo, mas também na sua própria vida psíquica e espiritual. A questão do significado da sexualidade, tipicamente humana, encontra a resposta na auto-compreensão total que o homem tem de si mesmo; vista a sexualidade à luz da Revelação Divina expressa nos textos supracitados deste proto evangelho fica-nos a certeza de que a vocação humana ao matrimónio e à vida de família são um bem querido por Deus. O Homem e a mulher são imagem de Deus com dignidade igual e, por isso, embora o factor primordial da relação homem e mulher não esteja, propriamente, na sexualidade, mas na personalidade de ambos diante de Deus, esta só se realiza em plenitude nas relações de amor e respeito mútuos e no afecto que está ligado aos seus corpos, carregados de atractivos únicos e inconfundíveis, direccionados profundamente para a sexualidade.
Homem e mulher são imagem de Deus, não enquanto sexuais, mas porque com a sua própria personalidade, afecto e amor sexual, podem expressar um amor que os faz semelhantes a Deus.
A Revelação confronta-nos com três verdades fundamentais relacionadas com o corpo e a sexualidade humanos:
1) - Tanto o corpo como a sexualidade humana são obra do Criador que os considera muito bons.
2) - O homem e a sua sexualidade, como as relações homem e mulher, estão perturbados pelo pecado; porém, seria contrário à Revelação considerar a sexualidade como o lugar do pecado.
3) - A palavra decisiva na questão da sexualidade pressupõe que o pecado foi redimido e a sexualidade participa na Redenção, quando acolhe a Fé e a Graça: a sexualidade humana não leva em si a Salvação, contudo, necessita da Redenção para ser verdadeiramente salva, sempre apoiada numa luta constante que todo o ser humano deve prosseguir contra o egoísmo desenfreado e incarnado nele até às raizes mas profundas.
Cristo viveu o celibato pelo Reino de Deus e o declarou possível e nobre, quando os seus apóstolos o elegeram pelo mesmo motivo, o que não diminuiu a dignidade do matrimónio, senão que constitui uma parte da Revelação que vinca a nobreza da sexualidade e da sua Redenção. O homem não está condenado ao matrimónio, nem está condenado a sentir-se frustado se não chega a ele; assim, pode viver em plenitude a sua alta vocação de pessoa e de discípulo de Cristo, inclusive quando, aceitando o carisma do celibato, renuncia a toda a actividade sexual.
Porventura, esta asserção contradiz e contraria a mentalidade decorrente de princípios agnósticos, do materialismo dialéctico e do ateísmo racionalista; não obstante, é à luz clarividente da Revelação e da Palavra da Bíblia que, pode ser dignificada a pessoa humana, qualquer que ela seja, assestando trajectórias que a alcandorem a espelhar a beleza do rosto de Deus no Mundo. Sim, porque Deus é uma Relação de Amor.

Pe. Armando
20/10/2006

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