Arquivo: Edição de 27-10-2006

SECÇÃO: Região

Capital Europeia da Cultura de 2012
A SMS e Guimarães

Quando, no ano longínquo de 1881, um pequeno grupo de cidadãos de Guimarães re seuniu para prestar homenagem a Francisco Martins Sarmento e promover a elevação do nível de instrução da população do concelho, colocava-se em movimento um processo que conduziria a uma profunda transformação da paisagem cultural de Guimarães, com fortes repercussões nos domínios social e económico. Com a Sociedade Martins Sarmento como principal força impulsionadora da mudança, ao entrar no século XX, Guimarães estava transfigurada.
Convivendo, até aí, com uma identidade saudosista, alicerçada em antigas tradições por onde passam momentos fundadores da História de Portugal, Guimarães era, segundo uma descrição daquele tempo, encarada como “a expressão viva da rotina, do estacionamento, da falta de energia e de aspirações modernas, refractária ao progresso e às melhores conquistas da civilização”. O surgimento da Sociedade Martins Sarmento marcaria o encontro de Guimarães com a modernidade, sem renegar a riqueza histórica do seu passado.

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Os homens da Sociedade acreditavam que na elevação cultural dos trabalhadores residia a fonte do progresso. Por isso fundaram cursos profissionais nocturnos de desenho e de língua francesa, que constituíram o embrião da Escola Industrial Francisco de Holanda. Criaram um Instituto Escolar primário e secundário, que abriu caminho para o seminário-liceu, depois Liceu Martins Sarmento. Promoveram escolas móveis, que levaram o ensino das primeiras letras ao interior rural. Instalaram uma biblioteca de leitura pública, de vocação popular, que iria dar origem a uma das mais importantes bibliotecas eruditas portuguesas.
A Exposição Industrial de 1884, promovida pela SMS, impulsionou a vitalidade industrial do concelho, que então se começou a destacar como um dos mais dinâmicos centros produtores de riqueza nacional. Organizou depois o primeiro museu industrial concelhio, onde se mostravam os recursos e a actividade fabril desta terra, nomeadamente nas áreas dos tecidos de linho e algodão, das cutelarias e dos curtumes.
Entretanto, fundou o Museu Arqueológico, o mais antigo do seu género em Portugal, onde se guardaram, entre muitos outros materiais, os espólios arqueológicos recolhidos nas escavações das estações arqueológicas que a SMS tem à sua guarda, a Citânia de Briteiros e o Castro de Sabroso. A Revista de Guimarães começou a espalhar o nome desta terra pelo mundo da cultura e da ciência. Assim se tornou a SMS na primeira referência cultural de Guimarães.
Em 125 anos de existência, a Sociedade Martins Sarmento tem contribuído para que Guimarães se reencontre com a sua memória e se reveja no seu património histórico, através da acção de sucessivas gerações de vimaranenses valorosos que, generosamente, têm dado o seu melhor a esta colectividade. As principais instituições culturais de Guimaães têm, nas suas origens, a marca desta casa: o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, o Museu de Alberto Sampaio, a Biblioteca Raul Brandão, o Congresso Histórico de Guimarães. Esta é a casa de Francisco Martins Sarmento, de Alberto Sampaio, de José Sampaio, de Domingos Leite Castro, de Avelino da Silva Guimarães, de Joaquim José de Meira, do Abade de Tagilde, de João de Meira, de Eduardo de Almeida, de Raul Brandão, de Rodrigo Pimenta, de A. L. de Carvalho, de Alberto Vieira Braga, de Mário Cardozo, de José Maria Gomes Alves, de J. Santos Simões e de tantos outros homens que deixaram marcas indeléveis na cultura desta cidade, contribuindo para a sua afirmação nacional e internacional.
Com a sua indicação para Capital Europeia da Cultura de 2012, agora anunciada pelo Governo da República, Guimarães coloca-se perante um desafio grandioso e estimulante, cuja concretização reclama a contribuição de todos. A Sociedade Martins Sarmento, com a sua tradição de participação cívica na dinamização da vida cultural de Guimarães, encara este desafio com alegria, orgulho e responsabilidade, afirmando a sua vontade de paricipar activa e empenhadamente para o sucesso deste empreendimento colectivo.
Guimarães pode contar connosco.

Guimarães, 9 de Outubro de 2006
Pela Direcção da Sociedade Martins Sarmento
António Amaro das Neves


José Marques da Silva em Guimarães
A exposição, que está patente, desde o dia 18 de Outubro de 2006, é uma iniciativa do Instituto Marques da Silva, da Universidade do Porto, em parceria com a Sociedade Martins Sarmento. O Instituto José Marques da Silva, cumprindo um dos seus objectivos estatutários pretende desta forma divulgar a vida e obra em Guimarães do Arquitecto e seus continuadores os arquitectos Maria José Marques da Silva e David Moreira da Silva (filha e genro).
O Mestre Marques da Silva começou a trabalhar em Guimarães em 1897, colaborando nos obras de S. Torcato. É o autor do projecto da casa da Sociedade Martins Sarmento, que foi concluído pelos seus continuadores e de dois projectos para a instalação dos Paços do Concelho de Guimarães, que não se chegaram a concretizar. Entre as suas obras em Guimarães, contam-se também o actual, Mercado Municipal, o monumento a João Franco, a Igreja da Penha e diversas moradias particulares. Na exposição da Sociedade mostra-se vasta documentação referente às marcas do Arquitecto Marques da Silva na paisagem vimaranense.
A exposição pode ser visitada até 21 de Janeiro de 2007. A entrada é livre.

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