Arquivo: Edição de 29-09-2006

SECÇÃO: Generalidades

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Apresentação do livro “A Lepra em Guimarães”

No Auditório do Hospital da Senhora da Oliveira – Guimarães, realizou-se pelas 18 horas do dia 21 do corrente a apresentação do último livro de Fernando José Teixeira, intitulado “A Lepra em Guimarães”.
Perante numerosa e selecta assistência, a Mesa, sob a presidência do Senhor Director do Hospital, contava com a presença do autor, do Presidente da Direcção da Casa do Pessoal e do Senhor Dr. Gama Brandão, a quem coube o encargo de fazer a apresentação do livro.
Depois de elogiar o curriculum profissional e literário de Fernando José Teixeira, o Senhor Dr. Gama Brandão, fez uma larga exposição sobre a evolução da lepra em Portugal, concluindo por salientar diversos pormenores que se encontram analisados no livro agora apresentado. As suas palavras foram muito aplaudidas pelo auditório.
Seguiu-se no uso da palavra o autor que, depois de agradecer a colaboração recebida da Sociedade Martins Sarmento, Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, Museu Alberto Sampaio e Biblioteca Pública Municipal de Braga, relatou as circunstâncias que o levaram a interessar-se pelo tema e recordou que tudo começou em 17 de Abril de 1997 quando, nessa mesma sala, proferiu uma conferência sobre “A Lepra em Guimarães na Idade Média”. As notas então recolhidas levaram-no a transformar essa conferência num ensaio, ampliando o estudo a toda a história vimaranense e explicitando as fontes documentais omitidas na conferência.
Na preparação dessa obra, passou a pente fino a bibliografia existente e os volumosos Livros de Testamentos e Doações da Colegiada de Guimarães, existentes no Arquivo Municipal, recolhendo tudo o que havia disponível, o que lhe permitiu formular várias hipóteses que não foram invalidadas pelos dados recolhidos desde então.
Salientou a existência na Sociedade Martins Sarmento do testamento de Horraca Petri, de 1177, onde, pela primeira vez se refere a existência de gafarias em Guimarães, antes, portanto, do testamento de D. Sancho I (1209), havido por alguns como a mais antiga referência documental às leprosarias portuguesas.
Sobre o decréscimo das doações testamentárias em favor das gafarias registado no século XIV, alvitrou que esse facto estaria relacionado com a diminuição drástica do número de leprosos nelas recolhidos por efeito da peste negra que na altura dizimou a terça parte da população de Portugal e exterminou muitíssimas comunidades que viviam em clausura, como era o caso dos conventos e leprosarias. À mesma conclusão chegaram, depois, outros estudiosos.
Reconheceu o autor que não é este um trabalho definitivo, pois “em História, nada é definitivo”, restando-lhe a satisfação de ver à luz do dia o resultado de centenas e centenas de horas de trabalho que estiveram até agora sepultadas na memória do seu computador.
Referiu que o lançamento deste ensaio era a concretização de um dos seus mais caros anseios: a criação de uma colectânea de estudos dedicados à História de Guimarães. Durante décadas, numerosíssimos trabalhos dedicados a assuntos vimaranenses têm sido publicados e encontram-se espalhados por dezenas de revistas: na sua maior parte, nunca chegaram ao conhecimento dos vimaranenses!... Não seria uma boa ideia – perguntou Fernando Teixeira - criar uma colecção de ensaios onde, com o mesmo formato e aparato gráfico, se reunissem os trabalhos dedicados a história de Guimarães?... Se a esta ideia aderirem os autores vimaranenses (e quaisquer outros que vierem a escrever sobre Guimarães), ao fim de alguns anos poderíamos ver, lado a lado, nas estantes dos estudiosos, tudo o que de melhor se escreveu sobre a nossa terra! Essa colectânea tem o nome de “GUIMARÃES – Estudos de história local”, e o seu primeiro volume é a obra apresentada nessa sessão.
A muito curto prazo, prometeu o autor, outros trabalhos integrarão essa colecção: “O Padrão e a Oliveira”, “A Igreja de S. Tiago da Praça” e “A primeira história do Convento de S. Francisco”. Mas a colecção estará aberta a quem nela deseje incluir trabalhos seus, de qualidade, sobre a história de Guimarães.
Antes de terminar, agradeceu as palavras simpáticas com que o Senhor Dr. Gama Brandão o apresentou, que considerou imerecidas, ditadas pela velha amizade que os une.
As suas palavras foram muito aplaudidas, seguindo-se uma sessão de autógrafos.

Fernando José Teixeira
Guimarães, 21 de Setembro de 2006

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