Arquivo: Edição de 29-09-2006

SECÇÃO: Informação Religiosa

A Família, um bem necessário e insubstituível

Nota Pastoral da Comissão Episcopal da Educação Cristã para a Semana Nacional da Educação Cristã (1 - 8 de Outubro de 2006)
1. De 1 a 8 de Outubro próximo, decorrerá a Semana Nacional da Educação Cristã. É uma ocasião para os educadores cristãos, especialmente os pais e quantos a eles se associem, neste período particularmente favorável de início de mais um ano de actividades, reflectirem sobre a importância da educação e assumirem as responsabilidades próprias da missão que desempenham. Desejamos que o façam pessoalmente e com outros, promovendo as necessárias e variadas iniciativas, nesse sentido.
Escolhemos para tema desta Semana Nacional a família, devido à sua permanente actualidade e in-trínseca relação com a educação, e acolhendo, simultaneamente, o re-pto dirigido pelo Santo Padre Bento XVI no recente Encontro Mundial das Famílias: “Proclamar a verdade integral da família, fundada no matrimónio como Igreja do-méstica e santuário da vida, é uma grande responsabilidade de todos” (1).
2. A desvalorização da família institucionalizada e a pretendida equivalência à instituição familiar, de relações afectivas não apoiadas no vínculo do matrimónio, com duração e grau de compromisso variáveis e sem contar, forçosamente, com a distinção e a complementaridade dos sexos, é uma das emergências do nosso tempo, que pode influenciar a mentalidade das pessoas, incluindo a dos próprios cristãos.

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A realidade e a natureza da família não são o resultado de meras circunstâncias sócio-temporais. O seu fundamento é antropológico: “Matrimónio e família não são, na realidade, uma construção sociológica casual, fruto de particulares situações históricas e económicas. Ao contrário, a questão da justa relação entre o homem e a mulher afunda as suas raízes dentro da essência mais profunda do ser humano e pode encontrar a sua resposta só a partir dela” (2).
Este radicar da família na natureza dos seres criados é redimensionado pela relação com o próprio Deus Criador e Redentor: criados à imagem e semelhança de Deus, que é amor, o homem e a mulher tornam-se semelhantes a Deus na medida em que amam (3).
Mas, existe também “o vínculo entre pessoa e instituição”, como sublinha o Papa no já citado discurso: “A totalidade do homem inclui de facto a dimensão do tempo, e o «sim» do homem é um ir além do momento presente: na sua inteireza, o «sim» significa «sempre», constitui o espaço da fidelidade”. Por isso, “a verdadeira expressão da liberdade é a capacidade de decidir por uma doação definitiva, na qual a liberdade, doando-se, se reencontra plenamente a si mesma”; e o matrimónio como instituição não é “uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade”, é, ao contrário, “exigência intrínseca do pacto de amor conjugal e da profundidade da pessoa humana” (4).
3. Neste sentido, e constatando as dificuldades inerentes à construção de um agregado familiar fundado no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher, não podemos deixar, com o Santo Padre, de proclamar e testemunhar que é a família o espaço ideal do acolhimento da vida, do crescimento harmónico, do desenvolvimento integral e da vivência do amor humano como reflexo do amor de Deus pela humanidade. “A família é um bem necessário para os povos, um fundamento indispensável para a sociedade e um grande tesouro dos esposos durante toda a sua vida. É um bem insubstituível para os filhos, que hão-de ser fruto do amor, da doação total e generosa dos pais” (5).
Congratulamo-nos com o testemunho de tantos cristãos que procuram ser fiéis a estas e outras palavras do Santo Padre: cristãos que, em ambientes sociais nem sempre favoráveis, cultivam o sentido da família, na fidelidade aos ideais e às responsabilidades do matrimónio, assumindo as alegrias, as dificuldades e as surpresas da vida como caminhos de santidade que percorrem confiantes, deixando-se permear pela acção libertadora da graça de Deus. Mas realçamos, também, o esforço e a coragem de quantos, depois da experiência dolorosa de matrimónios fracassados, se preocupam, na medida do possível, por se manterem fiéis aos valores da família e, no campo da educação, procuram os meios de melhor qualidade para os seus filhos, no esforço por superar os riscos da dispersão afectiva e do confronto com uma multiplicidade de valores e critérios a que os mesmos ficam tantas vezes sujeitos, nos novos agregados que os pais e as mães muitas constituem.
(continua próximo n.°)

Lisboa, Festa da Natividade da Virgem Santa Maria,
8 de Setembro de 2006

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