Arquivo: Edição de 21-06-2019

SECÇÃO: Região

Vitória Sempre

A última jornada do campeonato da I Liga de Futebol 2018/2019 tinha todos os ingredientes para ser aquilo que o desporto em geral e, especialmente, o futebol deve ser: confraternização, alegria e amizade. O Moreirense recebia o vizinho Vitória Sport Clube dando assim ao encontro uma maior expressão de vimaranensismo. E, de facto, o cenário do desafio e o desenvolvimento do próprio jogo até ao apito final foram de qualidade exemplar e, mais ainda, a troca de posições dos contendores – entre o quinto e o sexto lugar – foi aceite desportivamente pelo Moreirense, a equipa sensação do Campeonato e o Vitória suspirava de alívio ao alcançar um dos objetivos da temporada que era participar em competições europeias. A festa, porém, viria a ficar manchada por manifestações de insultos e impropérios por parte de alguns adeptos vitorianos à Direção do Clube, ato este tão reprovável quanto inconcebível.
O presidente Júlio Mendes e, com ele, toda a Direção entenderam que a resposta a tal desconsideração e injustiça só poderia ser apresentar a demissão ao presidente da Assembleia Geral. Assim aconteceu imediatamente e decorrem, agora, movimentações de sócios para apresentação de candidaturas e listas a ser sufragadas em 20 de julho, poucos dias antes do início da pré-campanha de participação na Liga Europa.
Nota-se que o espírito vitoriando está vivo e também há esperança de que este momento difícil será ultrapassado.
No entanto, parece-nos que é também ocasião propícia a uma abordagem abrangente sobre a marca Vitória de Guimarães. Sem qualquer afetação por bairrismos doentios, num concelho de cerca de 155.000 habitantes, com vários clubes a militar em diversos escalões desde os distritais aos nacionais, é obra atrair em média cerca de 19.500 espetadores e levar centenas aos campos mais distantes, do Algarve, Madeira e Açores para dizer que a alma de Guimarães está no Vitória e que o Vitória reflete a alma de Guimarães. E, por isso, achamos digno de justiça e aplauso o lema caraterístico gravado em tarja gigante no topo sul do estádio “Nationis gloria nobis est”, “nós somos a glória, o orgulho da Nação”. Chegados aqui, por uma questão de coerência, de justiça e educação e – passe lá o plebeísmo – para dizer a treta com a careta, devemos sentir a obrigação de dar em tudo e sempre a imagem condizente à história que temos e ao orgulho de ocuparmos o chão sagrado do nascimento de Portugal.
É bem possível que os valores que caraterizam as gentes de Guimarães passem ao lado de alguns mais novos, nomeadamente dos elementos das claques. O modo de atuar de muitas claques, aqui e pelo país fora, confunde-se muitas vezes com uma aula prática de tolices de todo o tamanho em que a incontinência verbal põe em causa a dignidade de pessoas, instituições e adversários.
Num contexto de cultura cristã, o desporto e mormente o futebol poderia ser considerado como instrumento complementar de santificar o domingo; até surgem designativos de catedral a campos de futebol. E, na verdade, é muito importante que na ética do desporto, sobretudo do desporto de massas, passe a ideia aos agentes da prática desportiva de que o seu melhor desempenho vai encher de alegria tantos adeptos, que dela precisam, para aguentar as agruras de uma semana inteira; e dos espetadores ao vivo ou através dos meios de comunicação social a oportunidade de cultura e são convívio. Mesmo entre os derrotados há, quase sempre, motivos de conforto e satisfação: o denodo e humildade com que se debateram e o propósito de honrar o emblema. Quer dizer que, de uma forma ou outra, aceites estes princípios, todas as pessoas podem encontrar sinais positivos de satisfação e alegria também mesmo quando, em termos de estatística, as cores do seu clube andem pelas leiras de baixo.
Sinceramente acreditamos que é possível melhorar o panorama das competições desportivas. Nos escaninhos da consciência de todos, mesmo de quem procede, como se a tivesse enclausurada, há lá reservas para aproveitar e que contribuirão para a dignificação do desporto. E, já que a partir de 20 de julho, se inicia um capítulo novo do nosso querido Vitória, que não falhe o melhor desempenho também na componente social e associativa.

Sócio do VSC nº 381

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