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Jornal O Conquistador
Edição de 15-07-2016
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SECÇÃO: Informação Religiosa
Celebrar a História | ANO MAIOR
Foi em festa que a Irmandade do Príncipe dos Apóstolos São Pedro, sediada na Basílica da mesma invocação, encerrou o seu 4.º centenário de existência. Numa visão retrospetiva, pode dizer-se que, entre 28 de junho de 2015 e 29 de junho de 2016, muitos momentos de incomparável beleza foram projectados pelo dinamismo singular do capelão, Padre José Silvino, e de toda a Irmandade. Presidida por D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga, a celebração de abertura do ano jubilar contou com centenas de fiéis que rezaram “ Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo”. Aberta a todos e para todos, esta Basílica de portas sempre abertas, e com a graça de ser “Porta Santa” desde o dia 13 de Dezembro, contou com os sons de uma Cantata a Maria, com os tons da Orquestra do Norte, com a singular voz de Teresa Salgueiro, as melodias inconfundíveis de Rao Kyao, a pureza dos timbres dos alunos do Colégio Nossa Senhora da Conceição, bem como, com a mistura contagiante do grupo Effatha, que no seu estilo impar, conciliou num momento único a celebração dos 400 anos da Irmandade e o Ano Santo da Misericórdia. Houve tempo e lugar para perceber a importância das Indulgências, numa palestra proferida pelo Cónego José Paulo Abreu, para darmos as mãos e unir corações num diálogo interreligioso, para arregaçarmos as mangas com Projetos Solidários como o “Natal em obras” e “É preciso ter lata”. Em memória dos falecidos, o clero de Guimarães associou-se para celebrar o Ofício Exequial, no mês das Almas, celebração presidida por D. Francisco Senra, Bispo Auxiliar, que aproveitou o momento para inaugurar a nobre Sala Jubilar desta casa. Com testemunhos vivos de frágeis e desprotegidos, de doentes e seres humanos privados de liberdade “Obrigado, por um momento fui rei” que ficaram marcados no livro de Honra, no dia da celebração do Lava-Pés da Misericórdia, momento alto da celebração do Tríduo Pascal. Foi possível dar rosto à secular Festa das Cruzes Floridas da Missão, com uma exposição que contou com centenas de visitantes que ficavam inebriados com o belo trabalho da Vila de Serzedelo.
Pautada por grande fé popular foi a descida da imagem de Nossa Senhora do Carmo da Penha ao coração da cidade que, após uma semana de veneração, viu as suas ruas encherem-se de luz e cantares, durante a procissão de velas, presidida por D. Ximenes Belo.
Com o propósito de fazer uma “viagem no tempo” e de trazer o passado ao presente, surge a obra escrita por Olga Costa e Padre Hilário Silva que, de forma simples mas profunda, puseram em livro, a história desta Irmandade fundada por clérigos e que teve a sua primeira casa na colegiada da Oliveira, atual Museu de Alberto Sampaio. No coração dos vimaranenses, foram assinalados, com eucaristias festivas, os momentos basilares desta Irmandade e que este livro deu a conhecer. Foi feita memória da Bênção da capela primitiva (11 de novembro de 1750); da Entronização da imagem de São Pedro (29 de novembro desse ano); a elevação da capela a Basílica (26 de março de 1751); a restituição da Irmandade por D. Maria II (25 de janeiro de 1778); e o desabamento do soalho da parte adjacente à Basílica (1 de dezembro 1942) que vitimou alguns fiéis que procuravam pão, no final de uma eucaristia.
Finalmente, entre os dias 24 e 29 de junho, deu-se o encerramento deste ano memorável. Com fogo, balões, bolo e parabéns e com a harmonia das vozes do coro do Seminário Conciliar de Braga foi cantado em uníssono “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. O dia 28 trouxe ao presente os momentos festivos que, outrora os irmãos de São Pedro realizavam com grande entusiasmo. O dia 29 deu a conhecer à cidade o caminho que em 1750 a Irmandade percorreu entre o convento de S. Francisco e a agora Basílica de São Pedro, com a realização de um cortejo processional que contou com a presença de várias Irmandades da cidade e que terminou com a celebração da eucaristia solene, presidida por D. Nuno Almeida, bispo auxiliar e concelebrada por vários sacerdotes do arciprestado de Guimarães e Vizela. Momentos intensos de oração, partilha, história e cultura…sim, porque Cristo também é cultura.
Marta Soares
Olga Costa
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