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Jornal O Conquistador
Edição de 24-02-2012
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SECÇÃO: Informação Religiosa
Cardeal D. Manuel Monteiro de Castro
18 de fevereiro de 2012 é uma data marcante para a Igreja em Portugal e muito particularmente para Guimarães. D. Manuel Monteiro de Castro, nomeado Cardeal, recebeu do Papa Bento XVI as respetivas insígnias.
Damos nota do acontecimento pelas palavras de Octávio Carmo, enviado da Agência Ecclesia ao Vaticano.
Bento XVI pediu aos 22 novos cardeais da Igreja Católica, incluindo o português D. Manuel Monteiro de Castro, que saibam criar “a comunhão entre as múltiplas diferenças” e testemunhem o “amor de Cristo”.
“O facto de presidir na fé está inseparavelmente ligado à presidência no amor. Uma fé sem amor deixaria de ser uma fé cristã autêntica”, alertou.
O Papa falava durante a missa a que presidiu na Basílica de São Pedro, com os membros do Colégio Cardinalício, um dia depois do quarto Consistório do seu pontificado.
“Uma fé egoísta seria uma fé não-verdadeira. Quem crê em Jesus Cristo e entra no dinamismo de amor que encontra a sua fonte na Eucaristia, descobre a verdadeira alegria e torna-se, por sua vez, capaz de viver segundo a lógica do dom”, observou.
Após sublinhar que “Deus não é solidão, mas amor glorioso”, Bento XVI destacou que aos cristãos “está confiado o dom deste amor” deve ser oferecido com o testemunho da própria vida.
“Esta é de modo particular a vossa missão, venerados irmãos cardeais: testemunhar a alegria do amor de Cristo”, prosseguiu.
O departamento litúrgico optou por antecipar a celebração da festa da Cadeira de São Pedro (celebrada anualmente a 22 de fevereiro), assinalada em Roma já no século IV, para significar a unidade da Igreja, fundada sobre a figura do Papa.
A homilia de Bento XVI partiu deste momento do calendário litúrgico para uma reflexão sobre a Igreja e sobre o seu próprio ministério, utilizando como imagem o próprio conjunto escultórico do altar da Basílica.
“A grande cátedra de bronze contém dentro dela uma cadeira em madeira, do século IX, que foi considerada durante muito tempo a cátedra do apóstolo Pedro e, precisamente pelo seu alto valor simbólico, colocada neste altar monumental. Na realidade, exprime a presença permanente do Apóstolo no magistério dos seus sucessores”, explicou.
Para o atual Papa, “a Igreja não existe para si mesma, não é o ponto de chegada, mas deve apontar para além de si, para o alto, acima de nós”.
“A este mundo que tende a fechar-se em si próprio, a Igreja tem a missão de o abrir para além de si mesmo e levar-lhe a luz que vem do Alto e sem a qual se tornaria inabitável”, precisou.
Bento XVI destacou, por outro lado, que “a Igreja não se autorregula, não confere a si mesma o seu próprio ordenamento, mas recebe-o da Palavra de Deus, que escuta na fé e procura compreender e viver”.
Antes, aos novos cardeais, tinha pedido ainda “um suplemento de disponibilidade para Cristo e para a comunidade cristã inteira”.
“A nova dignidade que vos foi conferida pretende manifestar o apreço pelo vosso trabalho fiel na vinha do Senhor, homenagear as comunidades e nações donde provindes e de que sois dignos representantes na Igreja”, frisou.
Após a homilia, houve um momento de oração em português, pedindo que “pela intercessão do Apóstolo Pedro, todos os membros do povo de Deus se comprometam no anúncio missionário do Evangelho e no testemunho da caridade”.
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