Imprimido em 04-12-2020 00:20:06
Jornal O Conquistador
Edição de 23-12-2010
Versão original em: http://www.oconquistador.com/index.asp?idEdicao=194&id=4916&idSeccao=944&Action=noticia

SECÇÃO: Informação Religiosa

NATAL

Reflexão e Desafio
As festas despertam sempre sentimentos latentes ou mais “arrumados” do coração humano. E será talvez por isso que se vão multiplicando celebrações de toda a espécie de efemérides e se inventam também pretextos e realidades para caracterizar diversos dias do ano, alguns mesmo até já bem saturados. Mas há alguns dias que são incomparáveis e, entre eles, emerge o Natal.
O Natal é coração: é convite e manifestação de ternura, de caridade, de bondade, de solidariedade, de Amor. A expressão tão usada “o Natal deveria acontecer todos os dias” vai fazendo eco e sendo acolhida e assumida por muitos homens e mulheres, novos e velhos que não viram a cara ao que se passa à sua volta: infortúnio e pobreza de muitos mais, homens e mulheres, novos e velhos. Surgem por todo o lado respostas, a maioria delas espontâneas, que progressivamente se vão constituindo em movimentos e associações, estas para dar consistência e maior capacidade de corresponder a solicitações angustiadas ou descobrir outras realidades de desalento, resignação e revolta. Tudo isto é – cremos sinceramente – eco do brado de alegria da noite de Natal: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”.
Muitas pessoas, sem o saberem ou até à margem de quaisquer sentimentos religiosos ou cristãos, estão a concretizar a novidade proclamada pelos anjos do Céu que não incumbiram pessoas ou grupos determinados para viverem e passarem a mensagem. Por isso bem hajam todos aqueles que, desinteressadamente, estão atentos e se disponibilizam para socorrer os outros.

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Sem pretender comparar ou qualificar seja quem for, facilmente compreenderemos que também nesta área de fazer bem o bem se exige o propósito e aceitação de fazer formação. Não que com isto se desvirtue o que é natural, próprio do coração e, assim, desvinculado de quaisquer agentes estranhos, mas somente para descobrir a dimensão total do outro, do próximo, do irmão. E partir da primeira parte da alegre notícia: “dou-vos uma grande alegria: hoje nasceu o Salvador”. É que, doutra maneira, há o risco sério da contradição ou incongruência. Por exemplo, distribuir carinhos e mimos às crianças; desenvolver acções para que esta ou aquela tenha acesso a tratamentos dispendiosos ou cirurgia que precisa e, por outro lado, aplaudir ou condescender com a lei e a prática do aborto; visitar e atender mendigos e sem-abrigo e pôr em causa a oportunidade da eutanásia; descobrir tanta miséria psicológica, moral e social de muitos jovens que se demitiram de viver com dignidade e pactuar com tanta permissividade organizada e oficializada que galopantemente conduz à perda de valores essenciais à dignidade pessoal e à própria família…
É necessário, portanto, dar um passo qualitativo para tornar verdadeiro amor tantas preocupações e iniciativas: ver no outro a imagem de Deus, um irmão. E tomar atitudes que conduzam à instauração duma vida em sociedade protegida por leis justas e conformes aos princípios e valores da dignidade humana.
Escolher nos momentos próprios homens sérios e capazes que entendam bem que legislar e governar é um serviço será, de certeza o caminho seguro para evitar ou corrigir situações de míngua que a todos nos envergonham.
O Natal é, de verdade, um excelente momento para aceitar o desafio à conversão individual e colectiva que a todos beneficiará.

Lima de Carvalho

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