Imprimido em
04-12-2020 00:24:02
Jornal O Conquistador
Edição de 10-12-2010
Versão original em:
http://www.oconquistador.com/index.asp?idEdicao=193&id=4874&idSeccao=940&Action=noticia
SECÇÃO: Informação Religiosa
Natal
Luzes e Sombras
Não poderá ninguém com o mínimo de honestidade mental passar ao lado do que é o Natal. Seja de que ângulo por que se procure explicar o sentido da festa ou simples efeméride, no âmbito mais ou menos largo das considerações, aparece sempre aquele personagem único que é Jesus de Nazaré.
A mensagem de Jesus consubstanciada na Sua vida, doutrina e obras, deu origem a uma civilização cuja característica essencial é o Amor. O Cristianismo, que leva já cerca de vinte séculos de existência, não é, de forma alguma, uma teoria que possa interessar apenas a intelectuais e investigadores, mas sim uma proposta contínua de Paz, Justiça, Amor e Fraternidade. O cristianismo não é, pois, um código ou enunciado de princípios e regras, mas principalmente um dinamismo vivenciado por quantos acreditam no fundador e Mestre e, por isso, com um rosto, que é a Igreja. Esta, que ganhou e recebeu a missão no dia da Ascensão, confirmada pelo Espírito Santo, no Pentecostes, ao longo de toda a sua história, entre luzes e trevas, haveria de testemunhar a presença do Verbo de Deus Incarnado no meio dos homens.
Ainda infante, Jesus foi profetizado como sinal de contradição, pois sendo Ele o Supremo Bem e Verdade, a Sua presença e a sua voz seriam também ignoradas ou rejeitadas e combatidas pelo Mundo que Ele veio salvar.
Esta contradição começou por um estrondo violentíssimo: Herodes que se sentiu traído pelos Magos, que partiram para as suas terras sem lhe darem qualquer informação acerca do Menino, mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o seu território, da idade de dois anos para baixo (Mt 2,16).
Com este gesto inimaginável em qualquer horda de bárbaros, Herodes ficou como sinal horrendo de comportamento de sociedades e nações que, ainda hoje, andado este tempo todo, inventam meios e processos diabólicos para destruir a vida humana. E, por entre tantos inocentes e injustiçados, estão aqueles que foram gerados e, por isso, com direito a nascer.
Muito particularmente pelo Natal, não podemos deixar de chorar por milhares e milhares de abortos praticados em todo o mundo, no nosso país, no nosso hospital; corarmos de vergonha pela insensibilidade de tantas mulheres, algumas das quais reincidem segunda e terceira vez; espantarmo-nos com a naturalidade com que as instituições e agentes de saúde encaram estes crimes hediondos.
A fome e outras situações crescentes de precaridade de vida de muitas pessoas e famílias, tristes realidades duma crise instalada, bem podem ser um sinal de que nada valem os esquemas de segurança dos “construtores da cidade” se não se voltarem para Aquele que por natureza é Providência fiel e infalível.
Que este Natal seja, de verdade, para todos, de harmonia com o grau de responsabilidade de cada um, a alegre notícia proclamada em Belém há dois mil anos.
Lima de Carvalho
© 2005 Jornal O Conquistador - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital.
Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt